Sexta-feira, 30 de abril de 2010 - 15h33
A Revista ISTOÉ, em sua edição de 28 de abril, publicou uma matéria intitulada energia solidária que demonstra um grande desconhecimento e presta um serviço de desinformação sobre o Estado de Rondônia.
Ao buscar dar foco a um projeto desenvolvido pela construtora da Usina Hidrelétrica Santo Antônio, a revista pinta um quadro artificial, dando a entender que antes da chegada da Usina o Estado de Rondônia era apenas um (sic) “encravado no meio da Amazônia, onde a população trabalhava com extrativismo de minérios e da floresta”.
Rondônia é um jovem Estado, mas que desde sua criação teve sempre um desenvolvimento avassalador. Segundo o Professor Francis Bernier, da Sociedade Geográfica de Paris, que desenvolveu um estudo sobre Rondônia, publicado sob o título de “Rondônia La terre de Promise” (Rondônia: a Terra prometida), o Estado se tornou a maior frente de colonização do mundo, desde sua criação. Primeiro pela colonização protagonizada pelo INCRA, que na década de setenta trouxe um milhão de brasileiros que sonhavam com a terra prometida. Depois com a expansão da agropecuária que abastece de carne o mercado interno e exporta para o mundo. Não sei se o repórter sabe que os maiores produtores de carne do país têm fazendas em Rondônia, que tem gado livre de aftosa. Rondônia também tem trabalhadores rurais organizados que exportam café para a Europa, através do mercado Justo. Possui também Associações que trabalham com agroecologia como a RECA e a APA que exportam palmito, biojóias, couro vegetal, mel, bombons de castanha, polpa de frutas e alguns já são certificados como produtores orgânicos, ou seja, não é extrativismo, é agroindústria.
Outro ponto que demonstra desconhecimento e desrespeito com a população rondoniense é a citação de que (sic) “Rondônia contabilizava 1,5 milhões de habitantes, quase 60% de analfabetos funcionais”. Não sei se o repórter serviçal sabe, mas só a capital Porto Velho conta com treze estabelecimentos de ensino superior, com cursos de todas as áreas, fazendo com que hoje, Rondônia tenha uma população estudantil que rivaliza com centros mais avançados do país, tendo recebido boas notas do ENAD. Inclusive algumas conseguindo conceito “A”.
Entendemos que a construção das usinas é um ponto marcante no desenvolvimento do Estado, dado o vultoso investimento e a grandiosidade da obra. Mas desconhecer que além da usina, Rondônia faz parte, hoje, de um projeto estratégico que envolve o comércio com os outros países sul americanos e com o oriente, através da “saída para o pacífico”, que há anos vem sendo organizada por países andinos e o Brasil, para que haja uma nova alternativa de comércio com a Ásia, em especial a China, consumindo milhões em recursos que estão virando pontes, estradas, portos e ferrovias, é um deslize monumental da revista.
Ao se fazer apologia do programa desenvolvido pelo consórcio de construção das Usinas, a revista tenta construir um pioneiro artificialmente, colocando o dirigente da empresa como um personagem central, dedicando diversos parágrafos para discorrer sobre o périplo do engenheiro e citando-o nominalmente sete vezes na matéria, com direito a negrito. Ora, Não sei se o repórter sabe, mas Rondônia não precisa de pioneiros construídos artificialmente com matéria pagas. Os “destemidos pioneiros”, que são exaltados no hino do Estado, constroem no meio da selva amazônica, há décadas, um lugar aprazível, como dizia o grande Darci Ribeiro, um Estado pujante como diz Francis Bernier. E pioneiro por pioneiro Rondônia tem o Marechal Rondon. Verdadeiro Pioneiro que dá nome ao Estado.
Fonte: Alex Sakai / DRT/RO 688
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