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Opinião: Por que o macaco aranha não quis ser humano



Por Rinaldo Lima e Silva

Nas selvas rondonienses, um macaco-aranha, peludo e brincalhão, como costumam ser todos da mesma espécie, principalmente em estado natural, foi confrontado pelo grande pajé, que lhe comunicou a necessidade de se tornar humano e ensinar a arte de ser alegre e feliz, mas reagiu veementemente e se recusou a ocupar um posto na humanidade e frisou bem que, principalmente em Porto Velho, não.

O pajé, então, entre surpreso e assustado, lhe diz que seria a oportunidade de se tornar mais nobre como ser vivo, mais ainda de participar da construção da felicidade nestas paragens do poente, mas, ainda assim, a resposta foi não, acrescida de um esclarecimento, que passamos a transcrever.

“Na selva, temos costumes simples e em sua maioria ditados pelas leis naturais, assim agimos e assim respeitamos todos os ditames, tantos das normas impostas pela natureza, como comer, beber, movimentar e reproduzir, como as normas do bando ou do líder, de obediência, trabalho para a comunidade e respeito.

Entre os portovelhenses não é possível entender como as coisas acontecem, nem convocando a macacada para explicar, por que, por exemplo, um viaduto cuja necessidade existe há dez anos, pelo menos, foi contratado para ser executado num prazo combinado e teve sua obra paralisada antes do tempo, sem ser concluída e sem explicação convincente do motivo da paralisação.

A lei de licitações diz que é obrigatório projeto detalhado, ser licitado, com prazo pra terminar, é obrigatório fazer um contrato dizendo tudo que precisa ser feito, tudinho mesmo, e no contrato diz que a empresa encarregada de construir será penalizada se não terminar o serviço, mas tudo se passa como se o contrato não valesse.

Depois a prefeitura diz que as obras estão atrasadas por causa da chuva, enquanto uma ponte de concreto está sendo construída dentro do rio Madeira, sem tirar a água do rio para isso, mais tarde as obras dos viadutos são abandonadas sem explicação e não se fala de apuração, de fiscalização ou de responsabilização dos culpados.

Nos contratos não existem penalidades para quem inicia um fornecimento ao governo e para pelo meio da empreitada? Por que não se comunica ao povo a apuração dos fatos e aplicação das penas, se necessário? Por que os vereadores, que devem fiscalizar os atos do executivo, não falam nada, não se manifestam?

Não quero! Prefiro fazer minhas macaquices com a macacada, pendurados nos galhos sem cair em tentação, balançando nos cipós sem precisar dar nó, sem parecer civilizado, apenas macaquiando.

Assim, enquanto o nosso céu se faz moldura, para engalanar a natureza, a cidade de Porto Velho exibe cabisbaixa o desonroso e triste título de a capital mais feia do país, enquanto assiste paralisada o sangue de seus habitantes se espalhar pelo asfalto em sucessivos desastres de trânsito.
 

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