Porto Velho (RO) quinta-feira, 22 de agosto de 2019
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Opinião: Parece que foi ontem


 

João Baptista Herkenhoff

“Parece que foi ontem” é o título do livro de Sérgio Garschagen, que resgata um trecho glorioso da história de Cachoeiro. A obra foi publicada pela Editora Cachoeiro Cult, uma editora de resistência cultural, sediada no Espírito Santo, na cidade que lhe da á o nome.

Por mais que o bairrismo arda no coração cachoeirano, reconhecemos que outras cidades também ostentam uma história digna de celebração.
Seria desejável que o bairrismo que Rubem Braga eternizou numa frase – “modéstia à parte, eu sou de Cachoeiro de Itapemirim” – servisse de incentivo para uma grande onda de bairrismo Brasil afora.

A expansão do PIB é um indicador ilusório de crescimento. Mais importante é que a riqueza seja partilhada por muitos. As cidades pequenas e médias são distribuidoras de riqueza e, além disso, podem democratizar a convivência social, como aconteceu em Cachoeiro, onde sempre conviveram lado a lado o industrial e o operário, o comerciante e o comerciário, o proprietário e o desprovido de posses. Cachoeiro não revogou a luta de classes, que só acabará com o triunfo da Justiça e da Igualdade. O diferencial de Cachoeiro consistiu em que os ricos orgulhosos pagavam sua petulância com a reprovação da sociedade local, enquanto os pobres ou os ofícios humildes mereciam a reverência dessa mesma sociedade. Para citar apenas um exemplo. A maior homenagem que a cidade presta a um filho ausente é sua escolha para Cachoeirense Ausente Número Um. Pois bem. Um dos primeiros cidadãos a receber esse tributo era apenas um tipógrafo, mas um tipógrafo exemplar, um homem digno, modelo para a coletividade. Este era o requisito fundamental para ser coroado Cachoeirense Ausente Número Um.

O livro de Sérgio Garschagen proporciona aos mais velhos a oportunidade de reviver o passado. Os jovens, que não tiveram a chance de conhecer muitas das personagens desenhadas por Sérgio, terão a sensação de um encontro pessoal com tais personagens, tão real e cálido é o perfil que o filho caçula de Carlos Garschagen traça das pessoas focalizadas.

Cachoeirenses brilharam nas mais diversas áreas, cobrindo um amplo leque das atividades humanas. Na Música popular nenhuma cidade brasileira foi berço de tantos compositores e cantores absolutamente invulgares. Também a Música erudita, o Cinema, o Teatro, a Poesia, a Pintura, a Literatura, o Jornalismo têm, na galeria de notáveis, a presença de cachoeirenses. Nas ciências em geral, na Medicina, no Direito, na Política, Cachoeiro responde firme e forte: “presente”.

Diante deste fenômeno realmente fora do comum que é uma cidade do interior distinguir-se expressivamente no cenário nacional, indaga Garschagen: que fatores explicam a eclosão de tantas figuras de destaque numa cidade que nem tão populosa é?

Sérgio Garschagen coloca como hipóteses explicativas: a excelência das escolas primárias e secundárias, o idealismo e a competência de professores inigualáveis, o ambiente cultural que a cidade sempre respirou, a vizinhança do Rio de Janeiro nos melhores tempos da Cidade Maravilhosa, a influência de líderes que estimularam no seio da população o culto do saber, da arte, da cultura.

Cachoeiro pode voltar a ser a Atenas Capixaba? Subscrevo o prognóstico de Garschagen: vai depender das novas gerações, mas é possível sim.

Sérgio Garschagen é hoje jornalista em Brasília.


 

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