Domingo, 23 de agosto de 2009 - 16h45
Quem ouviu o senador Aloísio Mercadante falar que não ajudaria a engavetar os pedidos para desarquivamento das denúncias contra o presidente do Senado José Sarney, acreditou que ainda restava um mínimo de seriedade política em algum político brasileiro, já que Suplicy sumiu; já que Arthur Virgílio tinha funcionário fantasma; já que, até, até Fernando Gabeira viajara à custa da viúva.
Quem leu matéria da revista Veja afirmar que ele planejava um simulacro passeio ao Uruguai para fugir de votar a favor do arquivamento, de uma vez por todas não se decepcionou com Mercadante, por saber que ele se tornou pior do que Sarney porque, no Brasil, todo culpado busca a impunidade e não pagar pelo erro. Decepcionou-se consigo por ter acreditado um instante na palavra do senador mais votado do Brasil.
Precisa-se de muita força para continuar a acreditar em alguma posição de qualquer político brasileiro. Mas essa falta de escrúpulo tem sido abertamente defendida pelos eles, aceita por grande parte da mídia como inevitável para manter um “mínimo de governabilidade”.
Mas o senador pode ficar tranqüilo que o povo brasileiro já se acostumou com a mentira política. Fernando Henrique Cardoso deu início, ao pedir para esquecerem o que escrevera. Como o ex-presidente havia desmoralizado a escrita apenas, Palocci resolveu registrar a sua em cartório, de que cumpriria todo o mandato, no que foi acompanhado pelo governador José Serra. Nem o registro fez ser cumprida a promessa. Desmoralizaram até a escritura pública. Se buscarem fitas de promessas gravadas de cumprimento de mandato, nenhum computador seria capaz de armazená-las.
Mercadante conseguiu ir um pouco além do que os fiéis colegas; consegue mostrar uma cara com um robusto bigode de coronel e um semblante cínico de desvirginada arrependida. Sinal dos tempos. Mais de dez milhões de voto não valeram o cumprimento de uma palavra. Palavra de Mer... cadante.
Pedro Cardoso da Costa
Bel. Direito
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