Segunda-feira, 30 de novembro de 2009 - 09h43
* Ecio Rodrigues
Parece existir um elo forte, apesar de um tanto incompreensível, entre imperialismo americano, biopirataria e cobiça internacional. O primeiro reforça a tese de que os americanos teriam interesse em expandir sua presença militar no mundo, na forma de um grande e interminável império (como o Império Romano talvez), algo possível, apesar de a cada crise menos provável.
Já a biopirataria insinua que existe uma riqueza incomparável na Amazônia, uma riqueza que, evidentemente, não estaria vinculada à madeira (principal e mais importante recurso florestal explorado atualmente na região), ou às sementes de castanha-do-Brasil (comercializadas há décadas), ou às sementes de cacau (comercializadas há séculos), e mais um grande número de exemplos, mas, sim, à possibilidade de se encontrar a cura para alguma doença.
Ou seja, trata-se do que se chama, no universo da técnica, de prospecção biológica. Um conjunto de procedimentos tecnológicos minuciosamente sistematizados, que, quando colocados em prática, podem originar a descoberta de extratos (princípio ativo, novamente no universo da técnica), a serem usados na indústria farmacêutica ou de cosméticos.
Somente para esclarecer, prospecção biológica costuma levar mais de dez anos e exige muito, mas muito, investimento em dinheiro e em pessoal de altíssima qualificação.
E a cobiça internacional, além de, nesse caso, o internacional estar relacionado aos americanos e seu império, assume que o mundo esta preparado para saquear a tal rica biodiversidade da Amazônia e que, independente da existência de pessoas e nações, nos locais onde ocorrem o ecossistema florestal amazônico, o saque, para atenuar a cobiça, seria questão de dias.
Ainda para entender melhor, são dois pensamentos distintos e íntimos. O primeiro afirma a existência de uma riqueza (talvez devido ao mito do Eldorado), sempre relacionada à produção de extratos, oriunda da biodiversidade. E o segundo pensamento afirma que essa riqueza, além de constantemente saqueada à luz do dia, é objeto de uma cobiça internacional que, em breve, justificará a invasão da região por exércitos que defendem, claro, o imperialismo americano.
Sob essa ótica, parece óbvio que com relação à possibilidade da região ser saqueada, ou mesmo invadida, como sugere o segundo pensamento, tamanha agressão aos princípios de cooperação internacionais vigentes, somente se justificaria na existência de tal riqueza, ou na necessidade de destruição dela. Nesse último caso, o da destruição da riqueza, com a intenção de atrapalhar o crescimento do país que detem o ecossistema florestal.
O fato é que, essa invasão da região como resultado da cobiça internacional, além de requerer um arremedo de arranjos em acordos internacionais, difíceis de se negociar, os países amazônidas teriam que demonstrar sua completa incapacidade para administrar a região, gerir o destino de seus recursos florestais e cuidar da soberania de seus países. O que pode até valer para um ou outro país, mas, seguramente, não valerá para todos os nove países da região amazônica .
Para encerrar essa discussão complexa e que sempre atrai a atenção de uma grande maioria da população, riquezas somente são visíveis e possíveis de serem quantificadas, quando transformadas em dividendos financeiros para a sociedade.
No final das contas, a cada histeria de patente, a cada suspeição de saque, a cada renovação do medo da biopirataria, pesquisas são canceladas e produtos florestais são retirados do mercado.
E a riqueza da biodiversidade mais distante da pobreza da população.
* Professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Engenheiro Florestal, Especialista em Manejo Florestal e Mestre em Economia e Política Florestal pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Doutor em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília (UnB).
Fonte: Antônio Roque
antonio roque ferreira
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