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Opinião: Disponibilizamos emprego no Paço Municipal


 
Após longa reunião com a Democracia, Porto Velho e o Rio Madeira decidiram disponibilizar um emprego na Administração desta terra Karipuna. O candidato deve atender a critérios objetivos e subjetivos para o exercício do cargo. Também deve levar em conta outras perspectivas, incluindo o Respeito incondicional aos porto-velhenses. Coube-nos publicar o edital de abertura do certame para conhecimento geral.

Antes de qualquer consideração, salientamos que o candidato ao cargo deve ter ciência de que o único titular do poder é o Povo. Esse mesmo Povo, ao criar a Constituição, apenas petrificou in Lex a única razão do Estado: o Povo. Por isso, o novo funcionário apenas exercerá o poder para realizar o interesse do destinatário primário da Administração: a Coletividade. Não há espaço para o odioso “l'État c'est moi”. O poder conferido não é algo que estará a seu bel prazer. Por isso, não serão legítimos os atos que ultrapassarem os limites do mandato, sob pena de não permanência no emprego. Candidatos, preparem-se para disputar uma vaga para trabalhar na administração daquilo que não é seu!!

A probidade é condição sine qua non para participar do certame e para a posse, bem como para a permanência no emprego. Não adiantará defender o malufismo (roubo, mas faço!), Ali Babá (roubo pouco!) ou os Quarenta Ladrões (roubo muito!). A gestão da res publica não permite qualquer forma de improbidade, seja de enriquecimento ilícito, seja de dano ao erário. O exercício do múnus exige honestidade, mesmo que para alguns essa palavra seja considerada démodé. Então, aspirantes, saibam que a missão é árdua: singrar contra os ventos da bonança ilícita.

A eficiência no manejo da coisa pública também é fundamental. Não precisamos de um empregado com boas intenções. Há lugares que estão cheios em demasia desse sentimento e nenhuma melhoria ocorreu naquelas plagas. É necessário que tenha alto grau de eficiência na resolução dos problemas da Administração. Não poderá trabalhar no ritmo e letra daquela conhecida música popular brasileira: “É devagar/É devar/É devagar é devagar/Devagarinho”. Estamos a falar de eficiência acima de 90 (noventa) por cento. Até porque todas as condições materiais e humanas estarão à disposição para o futuro empregado. Serão inadmissíveis obras inacabadas, mal feitas ou demoradas. Por isso, a eficiência abaixo do patamar estipulado é causa para demissão.

Também exigimos que o candidato ao cargo seja democrático e faça disso um instrumento de governabilidade. As decisões importantes devem ser compartilhadas com a População envolvida. Democracia pressupõe ainda publicidade. Administrar o patrimônio público exige publicidade, que é dar conhecimento dos atos ao Demos. Por isso, dizer a verdade será valioso para a plenitude da gestão democrática. É preciso reconhecer publicamente os erros, se for o caso; apontar os motivos e os fundamentos da falha; propor soluções adequadas; e fazer forte uma atuação pró-ativa. Os patrões, o Povo, não admitirão o sigilo e as inverdades.

Não poderíamos deixar de falar sobre outro papel relevante do novel funcionário: Protetor das Artes e da Cultura. Entre as suas inúmeras funções, essa é a mais delicada e que precisa de uma atenção mais aguda. A função de fomentar as variadas Musas (Música, Poesia, Prosa, Dança, etc.) deverá ser prática corriqueira. Do mesmo modo, esclarecemos que deverá ter como vetor o esmero na preservação e restauração de alguns sítios aqui localizados, sempre respeitando os predicados alhures apontados (legalidade, probidade, eficiência, publicidade).

Será permitido um mês de férias por ano, para que, se quiser e por contra própria (o sal mensal permitirá), viaje para Itália e conheça a Sereníssima e lá passeie de Gôndolas ou conheça em Paris o existencialista Café de Flore ou a famosa Torre Eiffel. Mas que, nos outros 11 (onze) meses, conheça os Bairros Lagoa e Lagoinha (terra de canoas, canoeiros!) e lute para que aquela situação degradante não seja mais imposta aos porto-velhenses. E visite igualmente outros bairros e traga melhorias sócio-ambientais para esta gente tão abandonada. Nesse emprego, trabalhar é mais preciso que viajar. O sofrimento deste Povo não é preciso...

Saibam, ainda, candidatos, que haverá sempre a espada de Dâmocles pendente no ar, para que o ganhador da vaga não viole os ditames do edital regente. A pena para o descumprimento das normas editalícias, seja por dolo ou culpa, é afastamento compulsório do emprego, sendo realizado novo certame para preenchimento do cargo.

Enquanto isso, Porto Velho e o Rio Madeira preparam a primeira carta de demissão...

Ação Popular: Respeitem Porto Velho!!
 

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