Domingo, 18 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Opinião

Opinião: Direito Humanitário



João Baptista Herkenhoff

Uma longa luta travaram e travam mulheres e homens, grupos ativistas, profetas e mártires para afirmar o primado do Direito contra a barbárie.

Ao lado dos “Direitos Humanos” e dos “Direitos dos Povos”, vigora o chamado “Direito Humanitário”.

O “Direito Humanitário” busca salvaguardar um “mínimo ético” nos palcos de guerra.

É o “Direito Humanitário” que estabelece o caráter intocável de qualquer lugar onde esteja presente a “Cruz Vermelha Internacional”. A Cruz Vermelha está acima de nações, partidos ou facções. Onde haja um “ferido de guerra” ali estará a Cruz Vermelha para prestar “socorro humanitário”.

Outras instituições internacionais recebem hoje o mesmo tratamento da Cruz Vermelha, como, por exemplo, os “Médicos sem Fronteiras”.

Também o Direito Humanitário estabelece o respeito ao militar já abatido no confronto das armas, por ferimento que o impossibilite de combater, bem como o resguardo daquele que foi feito prisioneiro. É inominável covardia, repudiada pelo Direito Humanitário, tripudiar sobre o ferido ou sobre aquele já submetido à condição de “prisioneiro de guerra”.

Ainda o Direito Humanitário prescreve que nunca possam ser lançados bombardeios sobre populações civis.

Os crimes que se praticam contra o Direito Humanitário são considerados “crimes de guerra”. Lamentavelmente, só os que perdem a guerra são julgados pelos seus crimes. Os vencedores julgam-se isentos de responsabilidade pelos crimes contra a Humanidade, em que tenham incorrido.

Bebi todos esses conceitos no curso de minha existência:

na Casa do Estudante de Cachoeiro de Itapemirim;

no contato com meu avô materno que foi magistrado em Santa Catarina e que, na velhice, tornou-se um militante pacifista (datilografei para esse avô, a partir de originais manuscritos, dois de seus livros: O Sol do Pacifismo e A Civilização e sua Soberania);

nas aulas da Faculdade de Direito do Espírito Santo, com Ademar Martins, professor de “Teoria Geral do Estado” de toda uma geração acadêmica.

Como é triste ver esmagado o Direito Humanitário, nesta quadra da História. Esmagado pelos que jogaram bombas nas torres de Nova York matando milhares de pessoas. Esmagado pelo país que foi vítima dessa agressão e que, em revide, praticou repetidos ataques contra países árabes, vitimando populações civis, inclusive crianças, doentes e velhos. Uma jornalista inglesa registrou que uma bomba foi lançada sobre uma maternidade em Bagdá.

Não importa se temos o poder de nos opor a essas negações do mínimo ético que é exigido mesmo quando países estão em confronto bélico. Falar podemos, protestar podemos e nunca deveremos nos calar quando a consciência exigir de nós uma posição.

 

Gente de OpiniãoDomingo, 18 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Rainer Rilke à luz de Nuno Álvares Pereira

Rainer Rilke à luz de Nuno Álvares Pereira

O Indivíduo na sociedade e a sociedade no indivíduo: Ninguém se pensa sozinho Não existe um “eu” puro fora do “nós”, nem um “nós” abstrato que dispens

Ipam é alvo de operação policial

Ipam é alvo de operação policial

O Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores Públicos do Município de Porto Velho (Ipam) voltou ao noticiário. Não, evidentemente, pela q

Carta-Aberta aos candidatos à Presidência da República portuguesa

Carta-Aberta aos candidatos à Presidência da República portuguesa

Aos onze Candidatos que aspiram representar a Nação:Escrevo esta carta não apenas em meu nome, mas na qualidade de porta-voz de milhões de portugu

O Brasil e o mundo para 2026: ordem global e caos interno

O Brasil e o mundo para 2026: ordem global e caos interno

Iniciamos 2026 com novidades marcantes. A prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro — ditador que fraudou o pleito após obter apenas um terç

Gente de Opinião Domingo, 18 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)