Segunda-feira, 23 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Opinião

Opinião: Catástrofes entram nas salas de aula


  

*Francisca Romana Giacometti Paris
 

Terremotos. Tsunamis. Furacões. Erupções vulcânicas. Chuvas torrenciais. Enchentes. Deslizamentos. Os desastres naturais, como o nome diz explicitamente, são eventos naturais que ocorrem quando um fenômeno físico provoca direta ou indiretamente muitos danos e faz um grande número de vítimas.
 
Nos últimos tempos, a mídia - TV, internet, jornais impressos, rádios e revistas, entre outros -, nos mostrou cenas catastróficas causadas pelas chuvas na Austrália e na região serrana do estado do Rio de Janeiro. Tanto o distante continente quanto as serras cariocas foram inundadas por águas fluviais que, segundo alguns estudos, são resultantes do aquecimento do planeta e do fenômeno La Niña. Todavia, ao analisarmos o número de pessoas vitimadas pelas tragédias, de lá e daqui, nos deparamos com números bem diferentes. Enquanto no nordeste australiano o dilúvio atingiu uma área cinco vezes maior do que o Reino Unido e deixou cerca de vinte mortos e mais de setenta pessoas desaparecidas, a região serrana carioca j& aacute; contabiliza mais de 650 mortos, sem contar os desaparecidos.
 
Com base nesses dados, observa-se que os fenômenos naturais são transformados em desastres quando o vento, a chuva, a neve, as larvas, o terremoto ou as gigantescas ondas se encontram com a vulnerabilidade. Esse deve ser o eixo central sobre o qual se deve estudar as tragédias climáticas em sala de aula. A vulnerabilidade opõe-se à cidadania.. As pessoas que habitam muitas das áreas de risco, por mais contraditório que pareça, recolhem o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), ou seja, os governos legitimam a ocupação dessas áreas.
 
Podem-se trabalhar os mais diversos conteúdos (precipitações, urbanismo, ocupação de encostas, divisão de renda, ecologia, moradias etc) ao contemplarmos, no currículo da sala de aula, os deslizamentos ocorridos neste início de 2011. Porém, não podemos reafirmar, como fazem algumas autoridades, que a causa da tragédia é a chuva. Faz-se necessário que desenvolvamos nas crianças e jovens a consciência pelo cuidado com o meio ambiente e a postura política de cobrar das autoridades públicas ações que, a longo prazo, minimizem o número de vítimas, ou seja, cobrar planejamento e preparação para  enfrentar ocorrências naturais.
 
Um ponto, entretanto, deve ser ressaltado: a solidariedade dos amigos, parentes e vizinhos das vítimas. Particularmente, fiquei admirada com a ação de pessoas que cavavam a lama à procura de soterrados, com outras que abriram suas casas para acolher desabrigados, com aqueles que subiam e desciam morros para comunicar-se com helicópteros e indicarem localidades isoladas, com aqueles que enfrentaram o odor da morte no IML (Instituto Médico Legal) para dignificar com um enterro entes queridos, com aquelas crianças que adotaram animaizinhos que perderam seus donos, com os voluntários que separam doações e fazem faxina nos alojamentos provisórios e com o grande número de brasileiros que encaminharam os mais diversos materiais para sobrevivência d as vítimas.
 
Essa lição de solidariedade deve ser lembrada e relembrada em vários momentos da escola. A catástrofe acontece quando não encontra uma organização que pode preveni-la ou atenuá-la, mas deixa de ser ainda mais trágica quando encontra a solidariedade materializada nas mãos de cada voluntário.
 
 * Diretora pedagógica do Agora Sistema de Ensino (www.souagora.com.br), pedagoga, mestre em Educação e ex-secretária de Educação de Ribeirão Preto (SP)
 

Gente de OpiniãoSegunda-feira, 23 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Quem se mete com o mundo islâmico apanha

Quem se mete com o mundo islâmico apanha

O grande erro estratégico do Ocidente e o nascimento de uma nova ordem multipolarI. O Ego como Destino: A Herança ProtestanteHá uma linha invisível

Guerra em nome do Satanás

Guerra em nome do Satanás

          Estados Unidos, Israel e Irã estão em guerra já há mais de três semanas! O primeiro é um país majoritariamente cristão, o segundo é judeu

Com medo de serem rifados da disputa eleitoral, Hildon e Moro trocaram de partidos

Com medo de serem rifados da disputa eleitoral, Hildon e Moro trocaram de partidos

O que há em comum entre o ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves, e o ex-ministro da Justiça no governo de Jair Bolsonaro e atual senador pelo es

Para além da sociologia

Para além da sociologia

Os Limites da Análise de Roxana Kreimer e a Exigência de uma Matriz Antropológica IntegralAntónio da Cunha Duarte JustoResumoO presente artigo propõ

Gente de Opinião Segunda-feira, 23 de março de 2026 | Porto Velho (RO)