Porto Velho (RO) quinta-feira, 26 de novembro de 2020
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OPINIÃO: A resistência do carnaval popular


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Luciana Oliveira

A Eletrobrás bem que tentou, mas não conseguiu estragar o carnaval de rua de Porto Velho. A folia chegou ao fim e temos memoráveis desfiles para comemorar, apesar do desserviço prestado pela empresa. Em praticamente todos os blocos houve atraso na chegada da equipe responsável por afastar os cabos da rede elétrica dos trios. Os mais vexatórios ocorreram no Galo da Meia noite que saiu 45 minutos após o programado e no Pirarucu do Madeira que se estendeu por dramáticas duas horas.

Nos tradicionais Termos de Ajustamento de Conduta que forçosamente são celebrados entre os que promovem o carnaval e os órgãos fiscalizadores esqueceram de impor a Eletrobrás a obrigação de fazer o que lhe competia. Na verdade, o que a Eletrobrás devia fazer todo carnaval é erguer a fiação antes dos desfiles, pelo menos no circuito Caiari.

O Pirarucu bravamente cumpriu parte do desfile e o prejuízo com banda e segurança foi superado com a alegria e compreensão dos foliões. É doloroso ver um bloco impedido de desfilar após tanto trabalho.

O problema é que em Porto Velho os interesses andam na contramão. De um lado, os que resistem pela manutenção do carnaval popular e de outro, os que querem acabar com a folia momesca. Alguns promotores já sugeriram alterações bizarras aos blocos que se multiplicam a cada ano, felizmente.

O mau exemplo parte justamente do órgão que deveria zelar pela defesa da ordem jurídica, sobretudo dos mandamentos constitucionais.

O artigo 215 da CF/88 que garante a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e que impõe ao Estado apoiar e incentivar a valorização e a difusão das manifestações culturais é flagrantemente ignorado.

Digo isto porque já participei de indigestas reuniões com a promotoria da cidadania e ouvi propostas ridículas como mudar o trajeto de desfile dos blocos para facilitar o trabalho das polícias. A identidade cultural de blocos como a Coruja, o Galo da Meia Noite e o Pirarucu do Madeira pouco importou na avaliação da promotora naquela ocasião. A banda do Vai Quem Quer também foi teve seu desfile ameaçado porque tinha que assumir o bloqueio de vias com cones, grades e fitas, que sequer o comércio local é capaz de atender a demanda.

Não fosse a resistência de alguns dirigentes de blocos e o clamor de mais de 100 mil foliões a BVQQ não tinha desfilado.

No Rio de Janeiro mais de 450 blocos desfilaram e no Recife, só no sábado, dia do desfile do Galo da Madrugada que arrasta dois milhões de brincantes, saíram outros 70 blocos em Olinda.

Sempre que podemos vamos ao carnaval do Recife. Não por falta de opção aqui, mas para constatar que é possível harmonizar a relação entre os órgãos fiscalizadores e os foliões em favor de um interesse maior que é o da preservação da cultura.

Como dirigente do Pirarucu do Madeira, peço desculpas pelo desfile que como disse o presidente Segismundo “deu tudo errado, mas cumpriu sua finalidade de levar alegria ao povo”.

Foi uma espécie de parto com fórceps, mas resta o sentimento de resistência que nos estimula a planejar o próximo desfile de graça, sem cordas e venda de camisetas.
 

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Fonte:Luciana Oliveira / Fotos: Serginho / Gentedeopinião


 

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