Quinta-feira, 17 de maio de 2012 - 07h42
Por Humberto Pinho da Silva
A propósito do modo como as crianças são educadas pelos progenitores reflecte François Mouriac (galardoado com o prémio Nobel de Literatura de 1952,) no livro “L’Education des Filles”.Paris,Corrêa, pag.61, e segts:
"Para muitos pais, o essencial é, antes de tudo o mais, que os filhos estejam de saúde: é esse o seu primeiro cuidado:” Estás a transpirar, não bebas ainda…”
“Parece-me que estás quente: vou ver se tens febre”(…) primeiro cuidar da saúde da criança; depois, da educação: “Põe-te direito: estás a fazer corcunda…Não limpes o prato…Não te sabes servir da faca...Não te espojes no chão dessa maneira…Põe as mãos em cima da mesa! As mãos, não os cotovelos…Com a idade que tens, ainda não sabes descascar um fruto?…” Sim, é preciso que sejam bem-educados! E o sentido que todos nós damos a esta expressão “bem-educados” mostra até que ponto nós a rebaixamos. O que conta é a impressão que possam causar aos outros, ou seja, a fachada. Desde que, exteriormente, não traiam nada que o mundo não aceita, achamos que tudo esta a correr bem.”
Os únicos educadores dignos desse nome - mas quantos há que o sejam? São aqueles para quem conta aquilo a que Barrés chamava a educação da alma. Para esses, o que importa naquela jovem vida, que lhes é confiada, não é só a fachada que dá para o mundo, mas as disposições interiores, aquilo que, num destino, só Deus e a consciência conhecem.”
Quantos, mesmo entre crentes inflamados pela fé, preocupam-se a educar a alma dos jovens? Tão poucos são, que a sociedade mal sente o fruto dessa esmerada educação.
Todos cuidam da “fachada”, das aparências: embelezam o rosto, , para que seja agradável à vista; incutem as elementares regras de etiqueta, para que possam frequentar salões elegantes, sem desdouro; ensinam a vencer, e quantas vezes por veredas desonestas; a ganhar dinheiro, montes de dinheiro, olvidando que a verdadeira educação é, a dos sentimentos, a da alma: a que consegue plasmar a índole, tornando-a mais virtuosa, nobre em sentimento, briosa na honra e digna e prestável.
E como assim não se faz, topa-se, nas encruzilhadas da vida, alçados a elevados cargos, figuras públicas sem caracter, sem dignidade, que não passam de asquerosos, e enfeitados “sepulcros caiados”.
São, como bem disse a raposa de Esopo, ao presenciar máscaras de teatro:”Bonitas cabeças…mas nada têm dentro”.
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