Quarta-feira, 14 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Opinião

O samba no Ministério Público


O samba no Ministério Público - Gente de Opinião
Por Ariel Argobe (*)

No dia 10 de fevereiro, mais uma vez, como de costume no período momesco, o samba foi intimado a se reunir no Ministério Público Estadual, Sala da Procuradoria-Geral, para tratar de assuntos referentes à realização do Carnaval de 2011.
Sub a batuta do Promotor Aluildo de Oliveira Leite, da 6º Promotoria de Justiça de Porto Velho, 3ª Titularidade (Habitação, Urbanismo e Patrimônio Histórico, Cultural e Artístico), representantes da FESEC, UNIBLOCO, Fundação Iaripuna, SEMTRAN, SEMA, PM, SEMFAZ e Comissão de Análise de Eventos de Grande Porte ouviram os questionamentos do MP de Rondônia sobre o carnaval de blocos e escolas de samba.

A Promotoria que trata do patrimônio histórico, cultural e artístico, em nenhum momento, fez clara defesa da manifestação, da perpetuação e da preservação da cultura popular, em especial, neste caso, do samba, símbolo máximo da identidade cultural nacional, assunto que, também, de onde vejo, parece ser da competência dessa Promotoria.

Ao contrário, o MP enquadrou autoridades da municipalidade e produtores culturais da sociedade civil organizada, manifestando sua preocupação com a programação carnavalesca de Porto Velho, onde, segundo o Ministério Público, percursos e horários ferem o direito individual do cidadão, especialmente daqueles que não gostam de carnaval. Enfim, a tecla mais batida foi a da justiça, da cidadania e dos direitos individuais (temas de competência de outra Promotoria - entendo eu).

Ao ser convocado ao MP de Rondônia, para tratar de cultura popular (boi-bumbá,escola de samba e quadrilha junina), já vou com uma certeza: de participar de um debate onde a cultura popular, a identidade cultural, o mestre da cultura e o produtor cultural local participam sempre sentados no banco dos réus.

Está longe o tempo – que todos nós sonhamos - em que um dia seremos chamados para escutar do MP, medidas que garantam a manifestação cultural popular como um direito imanente e indispensável ao pleno exercício da cidadania. Conhecer atitudes do MP que enquadrem os poderes executivos, cobrando dos mesmos a institucionalização de políticas públicas continuadas, protetoras e democratizadoras do bem cultural imaterial.

 (*) Ariel Argobe é artista plástico e Presidente da FESEC

Gente de OpiniãoQuarta-feira, 14 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Juiz americano joga pá de cal nas pretensões de Vorcaro

Juiz americano joga pá de cal nas pretensões de Vorcaro

Foi preciso que um juiz americano, motivado por um acionista do Banco Master, reconhecesse a legalidade do processo de liquidação da instituição par

Motorista Nota 10: a Ideia Visionária que Humaniza o Trânsito Brasileiro após 32 anos

Motorista Nota 10: a Ideia Visionária que Humaniza o Trânsito Brasileiro após 32 anos

O Brasil — e toda a humanidade — avança graças a homens pensantes, cujas ideias visionárias combatem epidemias sociais como a violência no trâns

O voto da diáspora - direito ou privilégio?

O voto da diáspora - direito ou privilégio?

Do “Portugal ingrato” ao debate sobre quem merece representaçãoO debate sobre o direito de voto dos emigrantes portugueses regressa ciclicamente a

A política não é ambiente para fanfarrões

A política não é ambiente para fanfarrões

A hipocrisia está presente em quase todas as relações humanas, porém, é na política, que ela se mostra com maior desembaraço, principalmente no perí

Gente de Opinião Quarta-feira, 14 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)