Sábado, 22 de novembro de 2014 - 09h16
Por Humberto Pinho da Silva
Com a iluminação natalícia e os sons festivos da quadra, chegam à minha memória, figuras e vozes familiares, com quem passei a santa noite de Natal.
Na casa de meu pai, não havia árvore. Dias antes da consoada, fazia-se o presépio. Cobria-se com pano cor-de-rosa, a velha cómoda de pau-preto. Com livros, formava-se a alcova ou gruta, que eram tapados com duas puídas bandeiras azuis e brancas, do tempo da monarquia.
O menino – de grande dimensões, – era então colocado, solenemente, no lugar. Era de madeira. Dizia meu pai, que a avó Júlia, ouvira, quando era cachopinha, que a imagem tinha sido esculpida por santeiro viseense, e fora pertença de antepassado, cujo nome se perdera. No alto, suspenso da parede, era colocada a estrela de papelão, coberta de folhinha de estanho, amarela, da qual saíam vistosas e brilhantes fitas, prateadas e doiradas, a jeito de dossel ou véu de berço.
As prendas – quase todas jogos didácticos, – eram compradas no Bazar dos Três Vinténs, na Rua de Cedofeita, no Porto, e colocadas sobre o guarda-fato, para evitar tentações…
A ceia, propriamente dita, era tipicamente portuense.
Na mesa, coberta de toalha escrupulosamente branca, eram colocadas as louças de cerimónia, e as grandes travessas, do tempo dos avós, repletas de: pencas, bacalhau - que se desfazia às lascas, - e batatas.
Havia sobremesa variada: arroz doce, creme torrado, filhós, sonhos, rabanadas - bem demolhadas em leite, doiradas na frigideira e cobertas de canela e açúcar, - pudim, bolinhos de abóbora-menina e bolo-rei; e como minha mãe era transmontana, havia rochedos – doce feito de amêndoa ralada.
Quando me sento à mesa, para consoar, sentam-se, igualmente, não só os vivos, mas também os mortos. Parece-me que ecoam, dentro de mim, suas vozes e palavras amigas.
Ouço minha mãe, contar cenas de menininha, e meu pai falar da avó, que o criou. Ouço, também, todos que comigo cearam, e agora festejam-No, lá no Céu.
Então revivo, com saudosa amargura: episódios, ditos, frases soltas, gestos, modos de falar.
Revejo, também, o cenário, que envolvia a nossa antiga e sólida mesa de jantar, que ficava no segundo andar da velha casa da família.
Os odores que chegavam da cozinha enfumarada: o agradável perfume a canela e açúcar queimado, e tantos maravilhosos cheiros, característicos da Noite de Natal nortenha
Terminado o jantar e distribuídas as prendas, as crianças, entretinham-se com os brinquedos recebidos, e os adultos, ficavam a conversar ou jogar, enquanto mastigavam: pinhões, amêndoas, nozes e fruta seca e cristalizada. Humedecendo os lábios, com doce vinho do Porto.
Penso que nas outras casas, as famílias se reuniam e ceavam de igual modo. Não fossemos, então, genuinamente tripeiros.
Devido à influência, vinda de fora, e a frequentes viagens, o Natal nortenho, pode ser hoje, um pouco diferente, mas creio, que na maioria dos lares, a tradição ainda é o que era.
Mais um Natal que passa! Mais um aniversário de Jesus! E de Natal em Natal, aproxima-se o fim…
Não pensemos, todavia, em tristezas…já que o Natal é festa cheia de alegria e Amor.
A todos, desejo uma noite santa. Uma noite em que Jesus não esteja ausente…mas sentado à nossa mesa….
Quarta-feira, 7 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)
A Realidade Cínica do Sistema Internacional
DIREITO INTERNACIONAL: UM ESPAÇO DE CONTESTAÇÃO JURÍDICA DESIGUALPara nos debatermos sobre o Direito Internacional é preciso muito sangue frio, po

De maduro ao apodrecimento no cárcere
Viva a democracia! A população sofrida, humilhada e explorada da Venezuela pode respirar aliviada. Os mais de 8 mil venezuelanos que abandonaram seu

Professora aposentada, com larga tradição no universo educacional de Rondônia, Úrsula Depeiza Maloney ocupou diversos cargos públicos, todos na área

Deus deu ao homem atributos que o colocam em um patamar infinitamente superior aos outros animais. Só o homem supera os limites do instinto e pode m
Quarta-feira, 7 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)