Porto Velho (RO) terça-feira, 20 de agosto de 2019
×
Gente de Opinião

Opinião

O mundo do curto prazo - Por Confúcio Moura


Foi-se o tempo em que se pensava mais longe. Que se comprava fiado, na caderneta e pagamento depois de um ou dois anos. Não se conhecia este bicho chamado inflação. Este bicho mais parece monstro dos filmes de terror,  que engole até a cidade inteira. Minha avó tinha um armazém, entre anos 50 e 60, ficou pobre porque não sabia entender de remarcação de preços.Gente de Opinião

E a velocidade das coisas, que vem se experimentando nos últimos sessenta anos é terrivelmente incomodativa. É por isso que os mais velhos têm dificuldade de operar o caixa eletrônico, um computador, um telefone celular moderno. Até mesmo para digitar uma mensagem, um menino novo, digita numa velocidade incrível com dois dedos polegares, mãe e avô, com um dedo só, e catando milho.

E lá vem uma revolução pra frente. Ainda mais complexa, como se diz, não se precisa muito mais de cérebro. Porque um monte de cérebros eletrônicos tem por aí. Até mesmo uma chamada de táxi, que se fica à beira da rua e se dá com a mão, ou se grita “táxi!”. Daqui a pouco pode ser diferente, e já é, em muitas cidades brasileiras. Chamada pelo celular. Até acabou a graça de se ficar na sarjeta da rua abanando a mão. Você não pode entender, como é mágico ficar na beira da asfalto, com chuvisco ou ventania, e a gente ali, chamando e gritando pelo táxi.

É muito aplicativo. Daqui a pouco, mulher nem vai mais precisar de homem, nem homem de mulher, basta um aplicativo. E outras ternuras, também. É assim, e,  não tem jeito de se pensar no longo prazo. Tudo tem que ser pra já. No agora mesmo. Porque ninguém no mundo pode imaginar como será a felicidade daqui a vinte anos. Pelo que vejo, ficar dedilhando um celular, como se vê em todo lugar, só pode ser o exercício da felicidade, naquele momento. E pelas caras e reações, até parece um “prazer” imenso.

Gente de OpiniãoConversar à porta da rua, rodadas de gente debaixode árvores, só se for com celular à mão. E todo mundo dentro de suas aldeias de relacionamentos. As comunidades digitais planetárias. Um beijo gostoso, quem diria! A não ser que o celular não toque. O celular bloqueia tudo. E a riqueza, da noite para o dia, nem se fala mais em loteria esportiva, mas, em inventar um aplicativo que caia no gosto do povo. E a moçada sonhando em ser um Steve Jobs.

Mais Sobre Opinião

Meu cargo, minha vida

Meu cargo, minha vida

Bolsonaro se revelou um profundo conhecedor da natureza humana

Cada quadrado no seu quadrado

Cada quadrado no seu quadrado

Os argentinos são como são. E não querem nem aceitam conselhos.

Feliz dia de quem matou os pais!

Feliz dia de quem matou os pais!

Dia em que Suzane von Richthofen e Alexandre Nardoni estão de férias da prisão.

Brasil,  192 anos dos Cursos  Jurídicos  Salve o dia 11 de agosto, dia dos advogados

Brasil, 192 anos dos Cursos Jurídicos Salve o dia 11 de agosto, dia dos advogados

O Brasil, último país a acabar com a escravidão tem uma perversidade intrínseca na sua herança, que torna a nossa classe dominante enferma de desigual