Sábado, 30 de junho de 2012 - 09h03
Por Francisco Marquelino Santana
O velho guapo fora atender uma intimação do Judiciário referente ao bloqueio da BR 364 ocorrida no ano de 2009 e infelizmente não voltou. Ficou na estrada preso às ferragens de seu próprio veículo. Ele trazia seu último artigo: “A comissão genérica esfria diante da lei”. Tive a oportunidade de ouvir apenas o título por telefone que ele me dissera, já que não pude ficar em Porto Velho até o dia 30 para continuarmos a tratar do assunto sobre a emancipação e retornei à Extrema no dia 29. Zé Gaúcho tinha escrito este artigo sobre a audiência realizada no dia 28 de junho de 2011 na justiça federal em Porto Velho da qual participamos juntos. As folhas levadas pelo vento e marcadas com sangue foram representar todos aqueles que partiram na incansável luta pela emancipação de Extrema de Rondônia. Zé ficou mais dois dias em Porto Velho tentando uma audiência com o governador Confúcio Moura e não obtendo êxito retornara mais uma vez disposto a continuar de forma bravia a luta pela emancipação. O povo desta pacata região continua desnorteado, sem rumo e à revelia dos últimos acontecimentos que traduza a esperança de uma futura instalação deste município. Zé era peculiar, diferente e dotado de uma linguagem popular instigante. Seus escritos se misturam com a dor da exclusão e da libertação. Tornou-se heterogêneo por juntar-se à cultura cabocla amazônida. Tornou-se Zé por ser povo da floresta e por defender como ninguém os ideais emancipatórios da vida humana. Zé cosmopolita e árduo defensor de uma política integracionista da Ponta do Abunã. No cerne de sua territorialidade, Santa Rosa presenteou Rondônia com sua dignidade axiológica e depois recusou-se a devolvê-lo, preferiu guardá-lo eternamente às margens do Rio Abunã. Os títulos de seus artigos demonstram as singularidades e pluralidades advindas deste ser inconfundível. Vejamos alguns exemplos de temas dos seus artigos: “Pátria amada desfraldada”; “Equívocos de inconsciência”; “ Emancipação: o efeito telepático ou manifestação do poder da fé”; “ Ao plebiscito pela emancipação: a fé e esperança pela contemplação”; “ Pujança econômica”; “ Norteamento jurídico”; “ No território dos bárbaros”; “ Espera-se que não se adote os velhos vícios”; “ Os equívocos premeditados” e tantos outros que marcaram a trajetória de quem escrevia em benefício do bem estar social da Ponta do Abunã. No artigo “A esperança não morre”, publicado em 2009, Zé Gaúcho nos deixa a seguinte mensagem: “ pedimos e esperamos humildemente que as cortes do judiciário haverão de reconhecer o princípio do direito adquirido, transcrito e contemplado em nossa constituição como sendo a resposta única e possível a estes irmãos que não estão a querer se não lhes seja feito justiça...Extrema de Rondônia precisa ser emancipada”. Enquanto a EC nº 15/96 dorme no colo do congresso nacional, e nenhum vivente impetra mandado de injunção junto ao STF contra algo que fere profundamente nossos direitos coletivos, o povo de Extrema de Rondônia padece na cova das desigualdades sociais. O povo está se mobilizando novamente, e desta feita espero que o bloqueio da BR não tenha que ser a única via de solução rumo à emancipação, pois a violência não deve ser ensinada a ninguém. Mas algo precisa ser feito para que isto não aconteça, e uma audiência pública organizada pelos três poderes autônomos, soberanos e “harmônicos” entre si, seria certamente a decisão mais sensata neste momento. Hoje, 30 de junho de 2012, às 19 horas, no Espaço Cultural de Extrema, estaremos homenageando aquele que consideramos o mártir da emancipação, pois completado exatamente um ano de sua morte, nossa gente sente profundamente a ausência do velho guapo em nosso meio. Zé Gaúcho só morreu se morremos nós. Viva Extrema de Rondônia!
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