Quinta-feira, 5 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Opinião

O desafio das finanças públicas - Por Edilberto Pontes


Um dos assuntos mais relevantes do debate nacional no momento é a recuperação do equilíbrio das finanças públicas. Há farta evidência de que desequilíbrios fiscais permanentes causam impactos extremamente negativos para a economia. Apesar dos sucessivos déficits nos últimos anos, a pressão por aumentos de gastos é forte e crescente: a infraestrutura brasileira demanda muitos investimentos, diversos setores vitais para a sociedade ainda têm carências dramáticas, a pressão de grupos organizados por incentivos fiscais é substancial e muitas categorias fortes de servidores públicos também sinalizam inquietações por aumentos de salários.

O teto de gastos públicos – implementado pela Emenda Constitucional nº 95, no fim de 2016, – tem sido fortemente contestado por muitos atores políticos relevantes. É incerto se sobreviverá e os termos em que será interpretado.

O debate sobre a capacidade de regras fiscais (como a Lei de Responsabilidade Fiscal e o próprio teto de gastos) assegurar o equilíbrio das contas públicas é internacional. Na Europa, os tetos de 60% do PIB para a dívida pública bruta e de 3% de déficit público nominal, estabelecidos pelo Tratado de Maastricht, foram ignorados na prática.

A grande discussão nesse campo hoje é como implementar regras fiscais simples, flexíveis e que sejam efetivamente cumpridas. Não é fácil, porque flexibilidade pode implicar sofisticados mecanismos de escape, que tornam as regras sujeitas a interpretações que afrouxem o efetivo cumprimento. Ou seja, cumpre-se formalmente, mas, na prática, há uma expansão do desequilíbrio. Por outro lado, se as regras fiscais não dispuserem da flexibilidade necessária, podem sufocar de tal forma a economia e a sociedade que se tornam contraproducentes. É como um remédio que mata o paciente pelo efeito colateral. O debate requer cuidadosa análise sobre custos e benefícios, a fim de não se resvalar em soluções aparentemente fáceis, mas que só trazem frustrações no futuro.

*Edilberto Carlos Pont  / es Lima – Presidente do TCE Ceará e autor do livro Curso de Finanças Públicas: uma abordagem contemporâneapontes.lima@uol.com.br

Gente de OpiniãoQuinta-feira, 5 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

O nascimento da consciência do Ocidente

O nascimento da consciência do Ocidente

Adão e Eva e os dois caminhos culturais do Ocidente e do Oriente Na narração de Adão e Eva expressa-se o nascimento da consciência do Ocidente mar

Banco Master, o crime organizado e outras mazelas

Banco Master, o crime organizado e outras mazelas

CADA VEZ FICA MAIS ÓBVIO QUE O CASO MASTER TEM AFINIDADE COM O CRIME ORGANIZADO. Mesmo que não fosse como aqueles praticados por bandidos com cartei

O custo de ser família

O custo de ser família

Na Alemanha ter Filhos está a tornar-se um Luxo De acordo com uma pesquisa do instituto Insa, a maioria dos alemães acredita que formar uma família se

Tudo por dinheiro? CAS/Senado aprova PLS 2294/2024 sobre exame nacional de proficiência em medicina (Profimed)

Tudo por dinheiro? CAS/Senado aprova PLS 2294/2024 sobre exame nacional de proficiência em medicina (Profimed)

Provérbios 31:8-20: “Erga a voz em favor dos que não podem defender-se, seja o defensor de todos os desamparados. Abre a tua boca a favor do mundo, a

Gente de Opinião Quinta-feira, 5 de março de 2026 | Porto Velho (RO)