Porto Velho (RO) sábado, 19 de outubro de 2019
×
Gente de Opinião

Opinião

LEI SECA PARA OS SEDENTOS DE LAZER


O projeto de Lei de autoria do vereador Ted Wilson (PFL de Porto Velho), denominada "lei seca", aprovada na Câmara Municipal em que determina que os bares e pequenos comércios não possam comercializar bebidas alcoólicas a partir das 00h até as 6 horas da manhã é uma iniciativa demagógica e que se sancionada será considerada simplesmente esdrúxula e servirá de chacota na sociedade. Os bares em Porto Velho têm uma função social e fazem parte da cultura local, as pessoas que as freqüentam se reúnem para discutir política, fazer negócios e interação social.

Embora os homens e mulheres em sua origem tenham nascido em pequenos grupos rurais. As cidades ocuparam o lugar de convivências e de relacionamentos humanos.

Desde os primórdios que os seres humanos utilizam-se das festas para se aproximarem e estabelecerem convivência. Unido-se a isso, as noite servem para as reflexões dos sonhos e das poesias – alimentam as esperanças dos que acreditam nas mudanças.

Porto Velho desde a sua origem foi banhada pela nostalgia, e com ela a boemia. Imigrantes que para aqui vieram para trabalhar nas brenhas da mata, por ocasião da construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré –E.F.M.M, debruçavam-se em suas janelas e nos ombros dos amigos para cantarem o passado e planejar o futuro. Esses sentimentos aumentaram com a vinda de seringueiros e soldado da borracha e mais recentemente com a grande migração que veio para ajudar na formação do Território em Estado de Rondônia.

Sendo esta cidade a única capital que não possui sequer um teatro, a sociedade criou e recriou os seus espaços de lazer. São nos bares que a sociedade se encontra e se revela. São nas noites e nos bares que os profissionais da arte trabalham e muitos iniciaram-se como profissionais.

É lamentável que um vereador mobilize seus pares para aprovar uma lei que venha contra a cultura do povo. O vereador deveria lembrar que ele é um fiscal do executivo e um defensor da cidadania. Deveria se preocupar em ampliar os espaços culturais e elaborar projetos que possam ampliar o trabalho e gerar novas oportunidades de renda. Se essa lei for sancionada, os Vereadores e o Prefeito estarão tirando do mercado de trabalho profissionais da arte, garçons, animadores culturais, cozinheiras, taxistas, transportadores e deixando de apoiar os empresários do setor de bebida e do turismo.

Se a preocupação do "nobre edil" era com a segurança da população, deveria então se preocupara com a democratização e a melhoria da qualidade do ensino, apoiar o lazer nos bairros, lutar para que as crianças e os jovens possam ter uma educação integral, e lutar para os pais possam ter oportunidade de investimentos, emprego e renda, e não fazer exatamente ao contrário.

Também não é demais lembrar de que desde o final da idade média e o início da idade moderna que a política é separada da religião. Os poderes devem atuar com independência e de forma laicos e a política deve ser vista como a ciência do bem comum.

Fonte: Adilson Siqueira de Andrade
(Antropólogo e professor de filosofia da UNIR).

Mais Sobre Opinião

Brexit: finalmente surgiu luz no fim do escuro túnel

Brexit: finalmente surgiu luz no fim do escuro túnel

Com o novo acordo do “Brexit” de Johnson, entre Londres e Bruxelas, é criado um bom precedente que possibilita uma participação comum do RU e da EU no

A polónia votou reconfortando os conservadores europeus

A polónia votou reconfortando os conservadores europeus

Entre as fúrias da direita e da esquerda pendula a democracia. Neste momento, o domínio semântico da Esquerda na Europa vai-se enfraquecendo, apesar d

A fé pública dos diplomas de médicos

A fé pública dos diplomas de médicos

O caso é tão grave que me limito a reproduzir a nota da Associação Médica Brasileira Brasileira, para conhecimento, reflexão e manifestação. É mais

Furacão Dorian impõe o flagelo da fome às Bahamas; 11 anos atrás, Samuel Saraiva indicava moderna tecnologia para estocagem de alimentos

Furacão Dorian impõe o flagelo da fome às Bahamas; 11 anos atrás, Samuel Saraiva indicava moderna tecnologia para estocagem de alimentos

Há exatamente 11 anos, em Washington D.C., o rondoniense Samuel Saraiva sugeria à Organização das Nações Unidas (ONU) investimentos em tecnologia Fr