Rio - Tufos de cabelo caem no chão enquanto José se olha no espelho. Sem barba e com as madeixas curtas, o hebreu agora assume o visual de um típico egípcio. A cena marca uma decisiva passagem de 10 anos — da juventude à fase adulta — na vida do personagem interpretado por Ângelo Paes Leme, protagonista da nova minissérie bíblica da Record, ‘José do Egito’, que estreia quarta-feira. “Não sigo uma religião, mas acredito em Deus. Acho que a Bíblia conta histórias de homens como José. São histórias fortes e humanas, que nos dão a possibilidade de refletirmos sobre nossas próprias vidas e ações. Estamos falando de família e de sentimentos universais, como amor e ódio”, diz o ator.
 

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 Ator se prepara para novo trabalho na TV | Foto: Divulgação


A saga de José se passa no Egito e na Judeia de 1700 antes de Cristo. Com adaptação de Vivian de Oliveira e direção de Alexandre Avancini, a trama abrange mais de 40 anos da trajetória do hebreu em 26 capítulos. Por ser o preferido do pai, Jacó (Celso Frateschi), ele é odiado pelos irmãos mais velhos, que o vendem aos 17 anos a um mercador de escravos. No Egito, vai trabalhar na casa de Potifar (Taumaturgo Ferreira), comandante da guarda do Faraó (Leonardo Vieira).

“Como sabe ler e escrever, José começa a cuidar da casa e dos negócios de Potifar, que não tem aptidão para isso”, conta Ângelo Paes Leme. Mas o hebreu sofre um novo golpe ao ser assediado pela sensual Sati (Larissa Maciel), mulher de Potifar, um dos principais papéis da minissérie. Como José resiste aos encantos dela por conta de sua fé, ela se vinga, acusando-o de tentar violentá-la. “Sati é infiel, mentirosa, tem moral duvidosa. Gosta do marido, do poder e do luxo que ele proporciona, mas não consegue controlar o desejo. Tem consciência de sua beleza, gosta do jogo de sedução e de ser o centro das atenções. Trai o marido com os escravos, mas quando José a rejeita, ela não admite”, adianta Larissa Maciel.

Na prisão, José é chicoteado e trabalha numa pedreira. Uma nova reviravolta, no entanto, acontece após ele interpretar os sonhos do Faraó, que lhe dá em recompensa o cargo de governador, com a missão de estocar alimentos para os anos de seca, e depois se casa com Azenate (Maytê Piragibe). É nesta fase que ele reencontra os irmãos que o venderam. “Ele tem vontade de revelar sua identidade, mas guarda esse sentimento. O desejo dele não é vingança”, conta Ângelo.

Para dar vida a José, o ator encarou uma intensa preparação de seis meses. Além de assistir a workshops e filmes sobre a época, perdeu 2kg com muita malhação. “Precisava emagrecer, eliminar gordura e ganhar massa muscular. Fiz corrida, natação e exercícios em academia”, revela ele, que está pesando 72kg e também depilou o corpo. “Os egípcios raspavam tudo por causa dos parasitas. Havia muito piolho. Não precisei ficar careca porque José é hebreu e teve autorização para ficar com os cabelos curtos”, completa.

Já Larissa Maciel passou a máquina nas longas madeixas. “Nunca tinha raspado o cabelo, não tinha ideia de como ficaria. Mas gosto de fazer o que a personagem pede. Preferi raspar em vez de usar o recurso da maquiagem. Não me arrependo”, garante ela, que também vai usar várias perucas na minissérie.

Com 59kg, a atriz também intensificou a malhação para dar curvas à sensual e perigosa Sati. “Comecei a fazer pilates três vezes por semana. Em relação à dieta, a mudança maior aconteceu na alimentação, que foi alterada para proporcionar mais definição muscular. Cortei ovos, porque descobri que tinha intolerância (risos). Também eliminei laticínios, carboidratos, farinha branca, arroz, batata”, revela.

Aos 35 anos, Larissa faz sua estreia na Record depois de passar quatro temporadas na Globo, onde protagonizou a minissérie ‘Maysa — Quando Fala o Coração’ (2009) e atuou na novela ‘Passione’ (2010). “Tenho sorte que as pessoas ainda lembram dos trabalhos que fiz. É um carinho. O alcance de uma novela da Globo é absurdo”, diz. Mas, segundo comentário do autor Manoel Carlos, em recente entrevista, a atriz não foi bem aproveitada na Globo. “Adoro o Maneco, foi um prazer ter feito a minissérie, mas essa é a opinião dele. Fico feliz que ele pense assim. Mas minha trajetória na Globo foi ótima”, afirma ela, que tem contrato de cinco anos com a nova emissora. “Quando começo um trabalho, tenho expectativa de que seja bem-sucedido. A qualidade de ‘José do Egito’ é um escândalo”.
 

Tecnologia de cinema e cenas no exterior

A Record tratou a nova minissérie bíblica como uma superprodução e não economizou em tecnologia. ‘José do Egito’ foi gravada com modernas câmeras de cinema digitais, com direito a um foquista, profissional especialmente encarregado de fazer o foco. Por isso, uma só cena, por mais simples que pareça, como a do corte de cabelo de José, que indica a passagem da fase jovem para a adulta, pode durar uma hora ou mais, ao ser captada por diversos ângulos. O orçamento é altíssimo: cada capítulo custa R$ 850 mil.

Além dos trabalhos no Recnov, complexo de estúdios da emissora em Vargem Grande, uma equipe de quase 90 pessoas — 29 atores do núcleo hebreu da história — gravou durante três semanas no deserto do Atacama, no Chile, encarando altas temperaturas de dia e muito frio à noite. Também foram usados em média de 20 a 90 figurantes locais por dia. Segundo o diretor Alexandre Avancini, o deserto chileno foi escolhido por causa de sua semelhança com o deserto da Judeia, onde acontece grande parte da história.

As primeiras gravações começaram em julho passado, num campo de trigo, na cidade de Madre de Deus, em Minas Gerais. A emissora também construiu uma gigantesca cidade cenográfica em Guaratiba, Zona Oste do Rio, onde foi erguida a antiga capital do Egito numa área de 5.500 metros quadrados. No elenco também estão Bianca Rinaldi, Caio Jun