Quarta-feira, 18 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Opinião

FREI BETTO - Eleição: Por que falta emoção?


 

FREI BETTO - Eleição: Por que falta emoção?  - Gente de OpiniãoFrei Betto *

Adital - Pobres candidatos às próximas eleições municipais! Andam pelas ruas, cumprimentam eleitores, distribuem sorrisos, entopem-se de pastéis, afogam-se em cafezinhos, e não provocam nenhuma emoção. Quantos votos haverão de angariar com esse peripatético (mais patético que outra coisa) aquecimento eleitoral?
Os candidatos a prefeito confiam nos programas de TV, capazes de levar suas imagens a inúmeros lares e, quem sabe, aumentar seus índices nas pesquisas. Os marqueteiros eleitorais capricham no visual de seus clientes, maquiam o débil de forte; o corrupto de honesto; o nepotista de ético; o incompetente de capaz; o feio de bonito.

Trata-se o candidato como produto e o eleitor como consumidor. Produto com prazo de validade a vencer no dia da apuração. Os derrotados evaporam e os eleitos são alçados às inalcançáveis estruturas de poder.

Por que falta emoção? A emoção é filha da utopia, do sonho que alenta, da paixão que encoraja, do desejo que se projeta. Esta a palavra-chave: projeto. Qual o projeto ou programa dos candidatos, além do próprio interesse pessoal de eleger-se? O que os candidatos a prefeito têm a dizer quanto ao sistema municipal de saúde, educação, saneamento, transporte coletivo, alimentação, áreas de lazer, esporte e cultura?

A política partidária distancia-se cada vez mais de ideologias e se aproxima de alianças espúrias. Trocam-se princípios por promessas; ideais por acordos; projetos de mudanças sociais pelo olho gordo nas eleições futuras (hoje eu o apoio, daqui a dois anos você me retribui…).

Não podemos nos enojar da política, apesar da mediocridade da maioria dos candidatos. A política é a única ferramenta que a espécie humana conseguiu inventar para melhorar ou piorar sua convivência social. Assim como a miséria nasce da má política, a que produz desigualdade, a vida digna e feliz para todos também deriva da política vigente no município, no estado, no país e no mundo. Não é à toa que se diz que todos os povos deveriam votar no presidente dos EUA, tamanho o peso desta nação no destino de nosso planeta.

Ainda é tempo de tirar os candidatos dos patéticos sorrisos e tapinhas nas costas, e da moldura televisiva que visa a produzir sedução e não compromissos. Promovam-se debates da sociedade organizada com quem pretende ser vereador ou prefeito. Movimentos sociais, escolas, sindicatos, associações, ONGs, denominações religiosas etc., devem convocar candidatos para o diálogo olho no olho, de modo a avaliar se têm projetos ou apenas ambição de poder; vínculos com grupos populares ou representam interesses corporativos oligárquicos.

Ao votar em branco ou nulo o eleitor estará dando as costas à política. Ao se desinteressar das eleições estará prestando inestimável favor aos maus políticos; tudo que eles querem é fazer da política um pedestal no qual se distanciam do povo e no qual metem a mão no dinheiro público, praticam o nepotismo, e ainda gozam de imunidade e impunidade.

O voto é também uma importante ferramenta para mudar uma sociedade e construir o "outro mundo possível".

[Autor de "Calendário do Poder" (Rocco), entre outros livros].

* Frei dominicano. Escritor.

Fonte: ADITAL

Gente de OpiniãoQuarta-feira, 18 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Para além da sociologia

Para além da sociologia

Os Limites da Análise de Roxana Kreimer e a Exigência de uma Matriz Antropológica IntegralAntónio da Cunha Duarte JustoResumoO presente artigo propõ

Marcos Rogério sai na frente na corrida pelo governo de Rondônia

Marcos Rogério sai na frente na corrida pelo governo de Rondônia

Começam a esboçar as primeiras pré-candidaturas ao governo de Rondônia. E quem deu o pontapé inicial na corrida pela sucessão do governador Marcos R

Brasil, próxima vítima dos EUA

Brasil, próxima vítima dos EUA

           A China é um país comunista e hoje tem um PIB que rivaliza com o dos Estados Unidos. Fala-se que a partir dos anos 2030/2035 os chineses

Deus não é cabo eleitoral

Deus não é cabo eleitoral

É comum candidatos aos mais diferentes cargos da República usarem o santo nome de Deus em suas aparições públicas e nos programas de propaganda elei

Gente de Opinião Quarta-feira, 18 de março de 2026 | Porto Velho (RO)