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FHC, vergonhoso candidato do golpe dentro do golpe


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Já era possível desconfiar que havia algo de muito suspeito no balanço triunfal dos analistas conservadores após a contagem dos votos das eleições municipais.

O mistério se desfez na manhã de hoje, quando o economista Xico Graziano, um dos principais assessores de Fernando Henrique Cardoso ainda no Planalto, lançou a candidatura de FHC à presidência.

Não estamos falando de eleições diretas, que sempre fizeram parte do figurino da democracia no Brasil, e representam, hoje, a solução legítima para o impasse político do país.

Estamos falando do golpe dentro do golpe, numa eleição indireta.

Assim: já assumindo que Michel Temer não poderá segurar-se no cargo, por razões tão óbvias que é cansativo mencionar aqui, Graziano está na luta para emplacar FHC, armado de elogios enormes, de causar constrangimento.

Caso o plano venha a dar certo, o golpe (parlamentar) de 31 de agosto de 2016 ficará um pouquinho mais parecido com o golpe (militar) de 31 de março de 1964. Depois de dar posse a um político que pelo menos era vice na mesma chapa, pretende-se abrir lugar para um candidato que nem isso é.

Na distribuição de papéis para um enredo que começa a exibir traços de espantosa semelhança, o roteiro de Graziano reserva a FHC o lugar que foi de Arthur da Costa e Silva, principal chefe militar do golpe e segundo ditador na cronologia de generais presidentes.

Não custa lembrar. Depois de enfrentar protestos heróicos de uma juventude inconformada com uma reforma educacional elaborada sob encomenda da Casa Branca -- e que ocupava praças e avenidas, em vez de escolas universidades, como hoje -- Costa e Silva entrou para a história como o responsável pelo AI-5, decreto que inaugurou o período mais violento da ditadura.

Foi no governo Costa e Silva que Fernando Henrique foi afastado da Universidade, através de uma aposentadoria compulsória aos 37 anos de idade.

A opção indireta por FHC terá base legal se a queda de Temer for cronometrada minuto a minuto para ocorrer depois de 31 de dezembro, quando se encerra a oportunidade de escolher o novo presidente nas urnas, como determina a tradição presidencialista brasileira.

Mas é claro que se trata de um calendário que obedece a um cálculo político, que envolve as urgências de uma nova ordem que precisa consolidar-se.

O momento atual representa uma oportunidade única para uma restauração conservadora após 13 anos de avanços em direção a um país menos desigual e mais inclusivo.

A prioridade é evitar as incertezas e possibilidades naturais a todo processo democrático, em urna, ainda mais quando um cidadão chamado Luiz Inácio Lula da Silva mantém-se, apesar de tudo, na liderança das pesquisas presidenciais.

Este é o obstáculo a ser evitado, a origem do golpe pelo golpe -- em vez de uma saída pela eleição e pela democracia. Ao colocar-se como candidato indireto, ignorando as lutas democráticas de sua geração, que abriram caminho para que fosse eleito duas vezes presidente entre 1994 e 1998, FHC assume o lugar preconizado pelo coronel-ministro Jarbas Passarinho, aquele que deu uma contribuição inesquecível para jogar o país na treva da ditadura com um apelo antológico: "às favas com todos os escrúpulos de consciência."

Em dezembro de 1968, ou outubro de 2016, esta é a discussão.

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