Porto Velho (RO) domingo, 18 de agosto de 2019
×
Gente de Opinião

Opinião

Empreendedor de negócios com impacto social


 Empreendedor de negócios com impacto social - Gente de Opinião

*Marcus Nakagawa

Atualmente as questões sociais estão tendo relevância cada vez maior no Brasil. As manifestações em 2013 em prol da saúde, educação, transporte  e mobilidade, moradia, entre outros, acabaram se chocando com a realidade do padrão FIFA de qualidade da Copa do Mundo de 2014. Muitos achavam que não era possível realizar um evento deste porte envolvendo tantos recursos e cidades do país. A ideia aqui não é discutir este confronto, mas sim a grande mobilização e a visibilidade dos temas sociais do nosso país, seja de uma forma pejorativa ou construtiva.

A resolução destes temas está criando novas oportunidades de negócios e carreiras para aqueles empreendedores que querem realizar algo inovador e que tenha a ver com os seus valores pessoais. Um destes caminhos é desenvolver empresas ou organizações que façam negócios com impacto social.

Este tipo de negócio somado com o tema das finanças sociais foram debatidos durante dois dias em maio deste ano, durante o primeiro Fórum Brasileiro de Finanças Sociais e Negócios de Impacto, realizado na cidade de São Paulo. Com o principal objetivo de fortalecer o ecossistema destas atividades no Brasil, o evento trouxe muitos exemplos, casos de sucesso e pensadores sobre o tema.

É um movimento que está em constante crescimento e já existem muitos empreendedores neste estilo de vida, uma mescla de técnicas de negócios com melhorias sociais e valores pessoais.

Segundo Janelle Kerlin, professora da Universidade do Estado da Geórgia, o conceito de negócio com impacto social incluiria qualquer atividade empresarial que tenha impacto social dentro de sua ação de negócios. Eles podem assumir diferentes formas jurídicas: corporações, empresas limitadas e organizações sem fins lucrativos.

Diferentemente da ideia de negócios sociais do Nobel da Paz Muhammad Yunus, que considera que existem dois tipos de empresas sociais: o primeiro é o de empresas cujo foco é proporcionar um benefício social, em vez da maximização dos lucros para os proprietários. O segundo tipo de empresa social funciona de modo bem diferente: são as que visam a maximização dos lucros e pertencem a pessoas pobres ou desprovidas de recursos. Nos dois casos são empresas necessariamente com fins de lucro.

Mais do que os conceitos e terminologias, esta nova forma de se lidar com a gestão e o empreendedorismo pensando em resolver problemas do mundo é a grande mudança. O que gera nos líderes, gestores e empreendedores a oportunidade de realizar algo com as competências técnicas aprendidas na Academia, juntamente com a sua crença e valores pessoais.

Um ótimo exemplo também é a marca de tênis Vert que, além de bonitos e confortáveis, são desenvolvidos em Paris e fabricados no Brasil, como diz na própria etiqueta. A sua preocupação com o meio ambiente na fabricação, no material, no ponto de venda, e a aposta no comércio justo já rendeu um faturamento de mais de R$ 18 milhões por ano. A empresa criada por dois franceses lançada na Europa em 2004, possui uma fábrica em Novo Hamburgo (RS). Apesar de vários anos no mercado só passou a ser vendido no Brasil em outubro de 2013. Os tênis tem como base o algodão orgânico do semiárido nordestino e a borracha da região amazônica do Acre. A  compra é feita diretamente com os produtores, fazendo com que estes recebam até 65% acima do valor de mercado por não ter intermediários. Este é um dos exemplos dos processos sustentáveis na empresa e que ajudam os problemas sociais realizando o desenvolvimento territorial real diretamente com a sua população. Atualmente, a empresa já possui um portifólio de 42 calçados e a produção anual em 100 mil pares no ano de 2013.  Isso é aliar negócios com questões sociais e ambientais.

Para reforçar ainda mais esta tendência, temos ações de grandes empresas como a Unilever que fez recentemente uma chamada parao Prêmio Unilever de Sustentabilidade, voltado para Jovens Empreendedores, para incentivar jovens a buscar soluções inovadoras por meio de produtos, serviços ou aplicações sustentáveis e com potencial para ganhar escala, que tenham o objetivo de reduzir impactos ambientais, melhorar a saúde e o bem-estar das pessoas ou melhorar suas condições de vida e trabalho, considerando a de mudanças em seus hábitos ou práticas.

É isso aí, vamos juntar cada vez mais empreendedorismo, negócios e impacto social. E você, qual problema do mundo vai ajudar a resolver?

*Marcus Nakagawa é sócio-diretor da iSetor; professor da ESPM; idealizador e presidente do conselho deliberativo da Abraps; e palestrante sobre sustentabilidade e estilo de vida. www.marcusnakagawa.com

Mais Sobre Opinião

Meu cargo, minha vida

Meu cargo, minha vida

Bolsonaro se revelou um profundo conhecedor da natureza humana

Cada quadrado no seu quadrado

Cada quadrado no seu quadrado

Os argentinos são como são. E não querem nem aceitam conselhos.

Feliz dia de quem matou os pais!

Feliz dia de quem matou os pais!

Dia em que Suzane von Richthofen e Alexandre Nardoni estão de férias da prisão.

Brasil,  192 anos dos Cursos  Jurídicos  Salve o dia 11 de agosto, dia dos advogados

Brasil, 192 anos dos Cursos Jurídicos Salve o dia 11 de agosto, dia dos advogados

O Brasil, último país a acabar com a escravidão tem uma perversidade intrínseca na sua herança, que torna a nossa classe dominante enferma de desigual