Porto Velho (RO) domingo, 29 de novembro de 2020
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Em tempos de crises


Dom Rodolfo Luis Weber
Arcebispo de Passo Fundo

Vivemos um tempo de crise em nosso Brasil. Uma situação aparentemente tranquila e sob controle começou a desmoronar. Conhecemos os diferentes fatos geradores da situação atual. Entre as causas destaca-se a corrupção. O Papa Francisco quando fala da corrupção escreve: Esta praga putrefata da sociedade é um pecado grave que brada aos céus, porque mina as próprias bases da vida pessoal e social. A corrupção impede de olhar para o futuro com esperança, porque, com sua prepotência e avidez, destrói os fracos e esmaga os mais pobres. É um mal que se esconde nos gestos diários para se estender depois aos escândalos públicos. (O rosto da misericórdia, nº 19). 

Nesta situação complexa multiplicam-se as interpretações dos acontecimentos. Os fatos e os problemas, muitas vezes, são tratados com muita emoção. Outras vezes, é usada mais a persuasão do que uma argumentação baseada em fatos. Todos reconhecem que a situação é grave, por isso mesmo é tempo de ser criterioso para distinguir o verdadeiro do falso, o fato do boato. É preciso argumentar a partir de fundamentos constitucionais. A busca da verdade, a identificação e o julgamento dos responsáveis são imprescindíveis.

A crise é um momento negativo e de sofrimento para o país, pois gerou desconfortos, desconfianças, desemprego, conflitos, tensões, desequilíbrios, injustiças e incertezas. Tem algo de positivo neste contexto? O positivo está em trazer à superfície esquemas criminosos escondidos que se tornaram públicos. A aparente normalidade era ilusória e estava corroendo por dentro as instituições da nação. Indivíduos envolvidos foram investigados, processados, julgados e condenados, e a investigação continua.

Em segundo lugar, a crise obriga a busca de soluções, do restabelecimento do equilíbrio, além de tornar-se uma oportunidade de crescimento e de colocar em pauta as reformas necessárias. Ninguém pode ficar indiferente, especialmente quem foi escolhido pela sociedade para cuidar do bem comum. Vejo com preocupação que neste aspecto o debate e a busca de soluções, muitas vezes, são paliativos. Comentam-se os fatos e procura-se os culpados. A meu ver, é uma parte da solução da crise. Falta a apresentação, a discussão e a aprovação das propostas de reforma do Estado Brasileiro. Sabemos que estruturas inadequadas são propícias para desvirtuar pessoas e propiciam privilégios para alguns. Leis e estruturas mais adequadas favorecem a realização do bem comum e o controle social.

A crise que vivemos é uma oportunidade para refletir e aprofundar quais são nossos direitos e nossos deveres como cidadãos. Uma chance para conhecer melhor as instituições públicas, como elas funcionam e qual a sua finalidade. Sem dúvida é uma oportunidade para diminuir a corrupção. Concluo retornado ao Papa Francisco: para a erradicar (a corrupção) da vida pessoal e social são necessárias prudência, vigilância, lealdade, transparência, juntamente com a coragem da denúncia.

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