Sexta-feira, 18 de setembro de 2015 - 06h50
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Jessier Quirino, professor da Universidade de Campina Grande, é um grande contador de “causos”. Num deles fala sobre políticos da sua região pedindo votos, dizendo que não é ladrão e prometendo obras cobradas pelos eleitores. A paródia, se assim pode ser chamada, não é aplicável apenas aos políticos nordestinos, até porque os exemplos nos mostram que não só eles prometem que cumprem, mas que, ao final, não cumprem o que prometem. Substituamos o “prometem” pelo “que anunciam”.
E em grande parte a culpa do sucesso desses políticos que só anunciam cabe a nós mesmos, da Imprensa, apesar de muita gente não gostar que se o diga. Um “pecado” que não é só daqui do que o jornalista Jorcêne Martinez chamava de “imprensa tupiniquim”, é só dar uma olhada no noticiário que se verá que aqui e alhures, do Oiapoque ao Chuí a posição da Imprensa é a mesma: noticia tudo que é anunciado, enaltece-se qualquer obra, mas não se cobra resultados ou, quando isso é feito, não é feito com o vigor devido.
Não é preciso ir buscar muito longe, nem naquela promessa de que “nem que a vaca tussa”, até porque no caso a realidade que se tem é de que a vaca tossiu mesmo. Vamos pelos nossos pagos, como diriam os gaúchos. Ainda há pouco o governo anunciou que a obra do Espaço Alternativo – parada desde o ano passado quando o mais penalizado foi o contribuinte, iria ser retomada e, pelo menos até ontem, não foi.
Se buscarmos nos discursos dos nossos gestores vamos ver que o Jessier Quirino não está longe da verdade com sua paródia. Deputados e vereadores assumem garantindo que honrarão a Constituição e a Lei Orgânica, mas, em seguida, colocam tudo de lado – exemplo claro disso foi o sepultamento da CPI da Evasão Fiscal, ou o triste espetáculo de segunda-feira na Câmara.
Em Brasília ministros, com a seriedade peculiar a quem ocupa tal cargo, anunciaram que a PMF voltará, mas só por quatro anos. Da mesma forma como nossa Imprensa esportiva fica calada quando a CBF não cumpre suas obrigações fiscais, e isso já faz tempo, mas os jornalistas da área, como o eleitor que em toda eleição repete os mesmos erros entendendo que sua obrigação cidadã é apenas votar, não darão muita atenção ao fato da CBF, com certeza outras federações desportivas também, não cumprirem suas obrigações e, como os políticos que só prometem, continuarem por aí, livres, leves e soltos.
Considere-se dito!
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