Quinta-feira, 8 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Opinião

E LÁ VEM CARNAVAL (I)




* Por: Altair Santos (Tatá)

“a folia na pulsante, palpitante e cada vez mais miscigenada cidade porto, este ancoradouro onde atracam pierrots, colombinas e arlequins de etnias e tribos mil.”

Entre luzes e cantatas o refrão da hora é. A cidade exibe belos exemplares decorativos com a temática natalina. Que bom a cidade assim, pulsando na exata medida da auto-estima, do querer manifesto por parte das pessoas. Os brilhos do natal e o anúncio do novo ano escancaram os ziriguiduns e paticumbuns do próximo fevereiro. Já trepida n´alma e coração da pátria de Zé Pereira, uma batida cadenciada organizando aquele tradicional goela abaixo de peru, champagne e outras delícias dezembrinas. São os ventos de carnaval nos soprando os ouvidos. A essa altura do ano, nossos corpos já sedentos e naquela de me leva que eu vou, cedem ao apelo e, de pronto, somos marchas e frevos, sambas e requebros. É a mãe gentil fazendo ecoar, em nós, o seu nobre refrão ô abre alas que eu quero passar. 

Porto Velho já respira a atmosfera de um movimentado e efervescente carnaval, para o qual estima-se um considerável acréscimo no quesito demografia foliã. Certamente parte da grande mão-de-obra vinda de outros estados, para somar nas obras e outros empreendimentos em curso na capital e seu em torno, aproveitará as horas de folga ou o silêncio das máquinas para, brasileiramente, com tudo que tem direito, se esparramar no paraíso do confete e da serpentina. A se seguir o latim, fevereiro - o mês das purificações - por aqui será de intensa movimentação entre adeptos dionisianos, profetas e outros arautos, cada qual ao seu modo, fé e querer. 

O mosaico cotidiano da capital, no presente ciclo da energia, exibirá as faces da pluralidade étnica assim como fora no auge das jazidas submersas do Madeira e, também, como fora - e ainda é - na famigerada ceifa florestal vigente. Nós, os karipunas da resistência, viúvas de Waldemar Cachorro e Bola Sete, os órfãos de Leônidas Carol O´Chester e Babá, haveremos, como sempre, de redesenhar ao som marchas irreverentes e gingados de passistas valentes, os contornos do velho carnaval novo. Do passo marcado e previsível do Armando Holanda (periquito) com o inesquecível bloco Triângulo Não Morreu ao gigantismo imensurável da Banda do Vai Quem Quer, a cidade vê-se ás voltas entre a tradição e a explosiva participação. 

O carnaval já ri na cara da cidade, antes mesmo de rompermos as agendas e os tintins natalinos. Ao folião e foliã, cumpre recarregar as energias e pautar: baile municipal, ensaios e desfiles dos blocos escolas de samba, além de alguns eventos de clubes (os bailes de salão) que mexem com o interesse dos brincantes. Há se estimar pelo grande quantitativo humano pulando e se divertindo, ou mesmo que pouco se envolve diretamente, o carnaval altera o metabolismo urbano da cidade, gerando divisas, aquecendo o turismo cultural, exalando cultura popular pra todo lado, se dizendo grandioso e em crescimento na miscigenada cidade porto que no mesmo diapasão, cresce e se desenvolve.

(*) O autor é músico e Presidente da Fundação Cultural Iaripuna

Gente de OpiniãoQuinta-feira, 8 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Maduro e o cofre de ouro na Suíça

Maduro e o cofre de ouro na Suíça

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, enviou à Suíça R$ 5,2 bilhões em ouro entre 2013 e 2016, dinheiro esse que agora está congelado pelo governo

A Realidade Cínica do Sistema Internacional

A Realidade Cínica do Sistema Internacional

DIREITO INTERNACIONAL: UM ESPAÇO DE CONTESTAÇÃO JURÍDICA DESIGUALPara nos debatermos sobre o Direito Internacional é preciso muito sangue frio, po

De maduro ao apodrecimento no cárcere

De maduro ao apodrecimento no cárcere

Viva a democracia! A população sofrida, humilhada e explorada da Venezuela pode respirar aliviada. Os mais de 8 mil venezuelanos que abandonaram seu

Adeus, professora!

Adeus, professora!

Professora aposentada, com larga tradição no universo educacional de Rondônia, Úrsula Depeiza Maloney ocupou diversos cargos públicos, todos na área

Gente de Opinião Quinta-feira, 8 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)