Quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008 - 16h26
CONTRIBUIÇÃO PARA CUSTEIO DO SERVIÇO DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA (COSIP): UM IMPOSTO TRAVESTIDO DE CONTRIBUIÇÃO
Por Flávio da Silva Andrade*
A contribuição para custeio do serviço de iluminação pública (COSIP), trazida pela EC nº 39/2002, que acrescentou o artigo 149-A à Constituição Federal, é um verdadeiro imposto disfarçado, travestido de contribuição. É imposto porque o fato gerador, essencial para a definição da natureza jurídica do tributo (art. 4º do CTN), é um serviço inespecífico, não mensurável, indivisível e insusceptível de ser referido a determinado contribuinte.
A COSIP é um tributo inconstitucional. O fato de o Poder Constituinte Derivado ter incluído tal exação no elástico rol dos tributos que atendem pelo apelido de contribuição não é bastante para se superar a inconstitucionalidade desse tributo, apontada e reconhecida ainda quando instituído sob a denominação de taxa de iluminação pública (TIP).
Mesmo que se tenha mudado o nome da exação, ela continua incompatível com o Texto Constitucional. A COSIP padece de inconstitucionalidade porque é cobrada de apenas uma parcela dos usuários de um serviço público genérico (ut universi), que beneficia a sociedade como um todo. Por isso, ofende o princípio da isonomia ou igualdade tributária (artigo 5º, II, CF/88), já que enseja a exigência do tributo de apenas uma parte dos beneficiários da iluminação pública.
Os doutrinadores pátrios e o Pretório Excelso sempre afirmaram que serviços gerais, dentre eles o de iluminação pública, por não serem referíveis a contribuintes determinados, devem, obrigatoriamente, ser custeados por meio das receitas gerais provenientes de impostos.
Cuidando do tema, MARCELO ALEXANDRINO e VICENTE PAULO esclarecem que qualquer tentativa de cobrar tributo específico para custeio de um serviço geral acarretará situações absurdas, verdadeiros atentados aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e ao princípio da isonomia (quando não ao mais elementar senso de justiça), uma vez que nunca será possível determinar se se estará cobrando de quem efetivamente (ou mesmo potencialmente) utiliza o serviço, muito menos se a cobrança guardará um mínimo de proporção com o grau de utilização do serviço pela pessoa eleita como contribuinte; ademais, é óbvio que uma enorme parcela dos usuários do serviço não sofrerão qualquer cobrança, pelo simples fato de que a lei instituidora, em seu critério obrigatoriamente arbitrário de escolha dos contribuintes, não os terá enquadrado como tal. (in Direito Tributário na Constituição e no STF, Editora Impetus, Rio de Janeiro, 6ª ed., 2003, p. 59)
Por outro lado, assinale-se que, sendo a COSIP um verdadeiro imposto, sua inconstitucionalidade fica mais acentuada se se considerar que os Municípios não dispõem de competência residual em matéria tributária, outorgada exclusivamente à União, com as limitações do art. 154, I , da Constituição Federal.
Anote-se ainda, por relevante, que a instituição desse novo tributo afronta o princípio federativo da discriminação de rendas tributárias, na medida em que tenta garantir, a toda custa, mais recursos aos Municípios, contrariando a matriz constitucional das contribuições e distorcendo o Sistema Tributário Nacional.
Assim, ante as considerações supra, conclui-se que a contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública, criada pela Emenda Constitucional nº 39/02, não tem respaldo no modelo constitucional tributário do país, pelo que se espera que o STF venha a reconhecer sua inconstitucionalidade.
* FLÁVIO DA SILVA ANDRADE é Juiz Federal em Rondônia.
Terça-feira, 3 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)
Marcos Rocha: de volta ao jogo político?
Pelo que se tem lido na imprensa, parece que o governador de Rondônia, cel. Marcos Rocha, encontrou um partido para chamar de seu. Trata-se do PSD,

BR-364: pedágio veio para ficar
A cobrança do pedágio na BR-364 não é uma novela mexicana como muitos, de forma confortável, ainda pensam. Muito menos achar que, de uma hora para o

Mesmo com a redução de repasse, Câmara Municipal segue inchando a folha de pagamento com nomeações
A Câmara Municipal de Porto Velho diz que não tem dinheiro para pagar direitos de servidores que se aposentaram há três, quatro anos ou mais, mas, e

É comum, em período eleitoral, políticos e candidatos encontrarem soluções milagrosas para os inúmeros problemas que angustiam a população. Por exem
Terça-feira, 3 de fevereiro de 2026 | Porto Velho (RO)