Quarta-feira, 18 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Opinião

CARLINHOS MARACANÃ: Os Negros Africanos no Brasil II


O certo é que o negro foi o grande povoador do nosso território. Empregando o seu trabalho desde as charqueadas do Rio Grande do sul aos ervais da Paraná, engenhos e plantações do Nordeste, pecuária Paraíba, atividades na Região Amazônica e na mineração de Goiás e Minas Gerais. E não apenas povoou, mas criou pequenas comunidades rurais em todo o território nacional através dos quilombos, fundando núcleos populacionais, muitos dos quais existem até hoje.

Ocupou os espaços sociais e econômicos que através do seu trabalho, dinamizavam o Brasil. No entanto, esse fato não contribuiu para que o negro consiga um mínimo dessa renda em proveito próprio, pelo contrário, toda essa produção é enviada para o exterior, e os senhores de escravos ficam com todo o lucro da exportação e comercialização.

Após 1530, quando se pode falar realmente em colonização, com engenhos montados em São Vicente, iremos encontrar um dinamismo crescente na produção colonial brasileira.

No século XVI a nossa produção anual de 300.00 arrobas de açúcar, já era superior à América espanhola, o que daria uma renda per capitã das mais altas do Brasil em todos os tempos. A grande população negra escrava não participava da divisão desta riqueza.

O mesmo acontece no período da mineração. Minas Gerais desponta e consegue o seu apogeu até o último quartel do século XVIII, como uma nova e florescente etapa da exploração colonial, a mais importante, segundo as autoridades de Portugal.

O negro é deslocado para preencher os vazios demográficos dessa nova faixa de trabalho. Não leva apenas o seu trabalho, contudo, mas, a sua cultura, ensinando técnicas de metalurgia e mineração, aperfeiçoando métodos de trabalho, extraindo o ouro, procurando diamantes para proporcionar a riqueza dos contratadores e da coroa portuguesa.
O negro escravo em minas Gerais, por questões particulares, sofre as mais violentas formas de controle no trabalho, é vigiado diariamente. Quando fugia, tinha toda uma milícia de capitães-do-mato para persegui-lo, mesmo assim conseguia extrair do subsolo mineiro toda a riqueza que foi enviada para Portugal e se destinava ao pagamento da dívida que a metrópole havia contraído com a Inglaterra.

Por outro lado, o decréscimo da população negra escrava depois de 1850, quando é extinto o tráfico, deve-se à sua grande mortalidade, pois, segundo cálculos confiáveis, a média de “vida útil” do escravo era de 07 a 10 anos, mesmo Assim, a sua influencia povoadora em toda a extensão do Brasil se fez e se faz sentir, conforme demonstram todos os recenseamentos que foram feitos.

O negro foi o grande povoador da nação brasileira durante a sua evolução social e histórica.

Carlinhos Maracanã
Agitador cultural.
Fonte: Clóvis Moura. (Historia do Negro Brasileiro), Editora Ática. 1992.

Gente de OpiniãoQuarta-feira, 18 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Para além da sociologia

Para além da sociologia

Os Limites da Análise de Roxana Kreimer e a Exigência de uma Matriz Antropológica IntegralAntónio da Cunha Duarte JustoResumoO presente artigo propõ

Marcos Rogério sai na frente na corrida pelo governo de Rondônia

Marcos Rogério sai na frente na corrida pelo governo de Rondônia

Começam a esboçar as primeiras pré-candidaturas ao governo de Rondônia. E quem deu o pontapé inicial na corrida pela sucessão do governador Marcos R

Brasil, próxima vítima dos EUA

Brasil, próxima vítima dos EUA

           A China é um país comunista e hoje tem um PIB que rivaliza com o dos Estados Unidos. Fala-se que a partir dos anos 2030/2035 os chineses

Deus não é cabo eleitoral

Deus não é cabo eleitoral

É comum candidatos aos mais diferentes cargos da República usarem o santo nome de Deus em suas aparições públicas e nos programas de propaganda elei

Gente de Opinião Quarta-feira, 18 de março de 2026 | Porto Velho (RO)