Sábado, 4 de junho de 2016 - 22h05

247 - O Brasil não terá condições de sair da “recessão profunda” e de retomar o caminho do crescimento econômico até que ocorram novas eleições, avalia a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que agrupa 35 países — a maioria do bloco de países desenvolvidos. De acordo com a instituição, o atual clima político impossibilita a adoção de reformas urgentes e necessárias para o País.
A OCDE piorou suas projeções para a economia brasileira na última quarta-feira (1). Para este ano, a previsão para o resultado do PIB passou de queda de 4% para retração de 4,3%. Para o ano que vem, a expectativa passou de variação nula para um tombo de 1,7%. Para a economia mundial, a previsão para 2016 foi mantida: expansão “decepcionante” de 3%.
O economista Jens Arnold, diretor da OCDE, reforçou que, no relatório da entidade, "o cenário base é o de que, até que ocorram novas eleições no Brasil, vai ser difícil criar o consenso necessário para implementar as reformas de que o país necessita".
"Por mais que haja muitas propostas saídas ultimamente do governo, que coincidem em grande parte com as recomendações que a OCDE fez no passado, a pergunta é: até que ponto estas medidas serão implementadas? Uma coisa é o governo anunciar planos, outra coisa é criar o consenso e a força política necessários para fazê-las passar pelo Congresso, que está extremamente dividido e polarizado neste momento", diz Jens Arnold, em entrevista ao jornal O Globo.
Entre as reformas necessárias para o Brasil, Arnold cita um importante ajuste fiscal, “não somente de curto prazo, mas incluindo também variáveis estruturais como a reforma do sistema previdenciário”. Ele defende, ainda, a desvinculação dos benefícios ao salário mínimo. "O país poderia ter alcançado 25% mais de redução das desigualdades nos últimos trés anos se isso tivesse sido aplicado", acrescentou.
Arnold rebateu as críticas do ministro das Relações Exteriores, José Serra, que disse que o relatório da OCDE não tinha “sofisticação de análise”. "Não conhecemos o futuro melhor que outros, mas fazemos nossas previsões baseadas nos possíveis cenários que imaginamos e com as informações que temos. Seguimos a situação brasileira há muitos anos, eu pessoalmente há seis anos, e acredito que conheço a economia brasileira bastante bem. Conhecemos bem os dados do Brasil".
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