Quarta-feira, 1 de abril de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Opinião

Assim caminha a política nacional


E os políticos vão deixando pelas ruas de nosso imenso país o que trazem dentro deles mesmos. Pensam ser as cidades uma extensão de seus gabinetes e tomam conta das praças, das avenidas, das áreas públicas. Demonstram, antes de conquistar o poder, o respeito que têm aos cidadãos, ao homem comum das ruas, à família brasileira. E vão, por todos os cantos, engendrando em toda fresta, lançando proposta ao vento, impressos que vão ganhar a sarjeta da história.

No Brasil todo é o mesmo cenário: a pátria invadida e tomada por uma falsa democracia, uma disfarçada ditadura de quem pode mais. Do outro lado, cercado e bombardeado pelo o que não existe, pelo que não se conhece, o eleitor fica a assistir, passivamente, o deplorável espetáculo, enquanto tudo fica mais feio, a face exposta de nossa pobre política brasileira.

São quase todos candidatos não pelo que podem fazer, pelo que um mandato pode realizar. Mas pelo que podem ter, conquistar, usufruir e utilizar. São candidatos de si mesmos, dos mesmos grupos, dos interesses menores, piores, dos sentimentos privados. É um desejo descontrolado de se apropriar do público para uso bem pequeno, do tamanho da dignidade deles. Uma pena!

Com os corações sujos, não lembram em nada a origem da política e da palavra candidato, que deriva de cândido; puro, limpo. Candidato vem do latim, candidatus, que em sua essência é candidus. Na antigüidade, aquele que era candidato a um cargo público, tinha que conquistar votos, se mostrar limpo para a sociedade, se revelar. Vestiam-se de branco e saiam pelas ruas falando de sua essência, seu ideal de vida, seus valores, suas crenças. Expunham-se, em contato direto com o eleitor. Havia um sentido de pensar a vida, uma vocação para servir, um sentimento limpo, direto, aberto, franco, sem maquiagem, sem falsas verdades.

Hoje, guardados por Deus, os candidatos vivem em seus gabinetes, distante de tudo e de todos, contando e distribuindo o vil metal. Instituíram o cabo eleitoral, lideranças populares, como ligação direta e oficial com o eleitor. São, na verdade, os atravessadores de votos, que leiloam a esperança do povo e o futuro de nosso país. Contratados e pagos a peso de outro, os cabos eleitorais revelam como é primário o processo político brasileiro.

De um lado está o povo. Do outro, os candidatos. E o que era para ser o espaço do debate, das idéias, das propostas, transformou-se em um lamentável big brother eleitoral, revelando como são medíocres os nossos atores, como são pequenos os seus propósitos. Não tem candidatura, mas sim a imposição de grupos políticos. Não tem propostas, mas sim uma coação ideológica. Não se fala do futuro, mas do passado, o que não será. Não vota9mos naquilo em que acreditamos, mas naquele que não queremos. Não votamos para a vitória, mas pela derrota. Infelizmente.

Enquanto isso, milhões de panfletos e cartazes invadem as ruas de nosso Brasil, mostrando que nossa política é assim, um monte de papeis que vão e vem, para lá e para cá, ao sabor dos ventos.

Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor

Gente de OpiniãoQuarta-feira, 1 de abril de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Onde há fumaça, há fogo

Onde há fumaça, há fogo

Circulou em um grupo de WhatsApp de aposentados da Câmara Municipal de Porto Velho que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (G

Autismo e educação: escola regular ou especial?

Autismo e educação: escola regular ou especial?

O dia 2 de abril é celebrado mundialmente como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU). Mai

A violência começa antes do crime — e a lei chega tarde

A violência começa antes do crime — e a lei chega tarde

Punir não basta: o Brasil endurece as leis, mas o problema é mais profundo.Novas medidas contra a violência e humilhação de mulheres são necessárias

É preocupante o nível de desconfiança da população nas principais instituições brasileiras

É preocupante o nível de desconfiança da população nas principais instituições brasileiras

Apesar de a democracia está plenamente consolidada no Brasil, parcela significativa da população não confia nas nossas principais instituições. O Co

Gente de Opinião Quarta-feira, 1 de abril de 2026 | Porto Velho (RO)