Quinta-feira, 12 de maio de 2022 - 14h35

Pelo menos as pessoas que estão em condições normais
de raciocínio hão de concordar que há comportamentos pessoais que não são
sustentáveis: não propiciam relações de amizade verdadeira, que se reduzem a
mera troca de interesses, inibem a aproximação de quem não tenha afinidade com
as excentricidades evidenciadas, não asseguram efetividade das ações
empreendidas. Compulsões e obsessões são elementos frequentemente presentes
nesses tipos de comportamentos. E por que há quem persista neles? É simples:
porque a visão imediatista não permite enxergar um palmo além do nariz.
Mas onde entra o nariz nesse contexto? Eis a questão.
Você com certeza já ouviu a expressão “não sabe onde mete o nariz”. Exatamente.
A busca do prazer imediato, que sem demora se converte em desprazer e faz o
indivíduo imergir na incessante busca por mais e mais satisfação fugaz, o faz
deixar de enxergar onde está enfiando o nariz. A drogadicção é uma desgraça
que, por maiores que sejam os esforços governamentais e sociais por
enfrentá-la, ganha cada vez mais aceitação social, especialmente nos grupos que
têm em mãos a tomada de decisão.
Ilegítimo é alhear-se ao problema sob a argumentação
de tratar-se da vida pessoal deste ou daquele indivíduo. O problema é social,
afeta a coletividade, reduz – senão elimina – a capacidade de gestão,
compromete, destarte, o desempenho da organização em que o indivíduo se insere.
Ocorre que, até por uma questão cultural, quando se fala em saúde do
trabalhador, o foco se concentra nos empregados de carteira assinada. Quando
muito, se vê uma ou outra ação no que diz respeito aos servidores públicos do
nível operacional. Mas nunca atinge o ponto nevrálgico dos tomadores de
decisão, seja na área privada ou na área pública.
No campo privado, o interesse do capital e a
inteligência – não confundir com sabedoria – dos capitalistas promove, no mais
das vezes, as acomodações necessárias, conforme as relações de sociedade.
Especialmente nas empresas de capital aberto, onde as assembleias de acionistas
detêm o poder deliberativo capaz de substituir um gestor problemático, resolve
a questão com maior facilidade. Nas empresas individuais, a gestão
compulsivo-obsessiva logo leva a desastres. Nas sociedades não-anônimas, em
especial as de tradição familiar, recorre-se à autoridade patriarcal para
afastar o gestor-problema ou incorre-se no mesmo destino das empresas
individuais.
Já no campo público, em que pese toda a transição da
tecnocracia para o gerencialismo, há ainda uma herança maldita do
patrimonialismo que subjaz exatamente nos cargos mais altos, nos chamados
agentes políticos, que, incapazes de uma pausa para a reflexão no contexto
extenuante das demandas em que imergem, muitas delas absolutamente descabidas e
derivadas exatamente de seu comportamento não-sustentável, a situação é bem
mais difícil. E bem mais dolorosa, já que impõe a toda a sociedade a dor dos
efeitos dos atos tresloucados cobertos pela empáfia, recobertos pela adulação e
dourados pela cooptação. Mas, se o rei está nu, como no conto de Hans Cristian
Andersen, alguém haverá de dizê-lo. E o futuro dos alfaiates de plantão será
previsível, pelo menos por quem teve a felicidade de conhecer um pouco de
literatura no banco escolar. Mas, reconheça-se, a turma do provão está aí
mesmo. Sic transit gloria mundi...
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