Sexta-feira, 9 de janeiro de 2026 - 12h48

“Na
rude escola do caráter, a ordem militar pode recuperar a sua fé e o seu
orgulho. Assim reafirmada, ela esperará sem angústia que trabalhe em seu favor
a alternância do destino, que passem os dias amargos e que o espirito do tempo lhe
volte a ser favorável, como o vento endireita a árvore após tê- la
encurvado”
Gen
Charles de Gaulle
in O Fio da Espada
As
Instituições têm alma. É o que as faz perdurar e fortalecer. A alma de um
exército é o seu ethos institucional, ou seja: sua essência cultural,
valores, crenças e padrões de comportamento, onde assentam seu caráter e
identidade coletiva, fundamentais para a credibilidade e a reputação da “gente
das armas” (les gent d’armes), perante a sociedade. Neste contexto, é o
moral da tropa – o estado de espírito ou ânimo dos
militares, em suas frações ou unidades, em uma determinada situação – que define o estado
da alma de uma Força Armada.
Os
militares universalmente admitem como verdade a afirmação de Napoleão de que na
guerra "o moral está para o físico como três para um". Condicionantes
morais e físicos são inseparáveis e indivisíveis, mas a expressão tem valor
permanente, porque exprime a ideia da predominância do moral do soldado na
conduta de combate, girando no seu entorno os acontecimentos das batalhas e as
decisões dos comandantes. Um moral elevado é capaz de garantir a coesão e o
desprendimento necessários ao sucesso em situações críticas, superando inclusive
os fatores físicos em quase todas as circunstâncias militares.
A
experiência já mostrou o moral como um estado “dinâmico”, passível
até de influência por qualidades individuais (como resiliência ou otimismo),
mas sempre propenso a sofrer fraturas expostas quando falham as lideranças. Na
guerra, a deterioração do moral costuma ocorrer também por falta de confiança
na competência operacional dos chefes, ou ainda, quando os militares se veem
submetidos a condições logísticas precárias. Na paz, o moral depende muito da
atenção dos comandantes aos aspectos vegetativos da instituição (perspectivas
de carreira, salários, promoções, atendimento à família militar), e à
manutenção do poder de combate da Força, em face das possíveis ameaças ao
cumprimento da sua missão constitucional. Mas em qualquer situação, e
principalmente nas crises políticas vividas pelo país, quando muitas das
decisões dos comandantes são inclusive alheias à profissão militar, é da
liderança militar – à princípio – a responsabilidade pela coesão e o
moral de um exército.
Hoje
no Brasil, é preciso reconhecer que estamos vivendo a mais aguda crise
constitucional de nossa história. A capacidade do nosso sistema constitucional
de canalizar institucionalmente os conflitos praticamente se esgotou, o que nos
trouxe a uma situação insegurança jurídica inédita, e a um temerário descrédito
das instituições. Os nossos atores políticos, entrincheirados em seus interesses
quase nunca republicanos, perderam a capacidade de decisão – e mesmo o poder –
para restabelecer o equilíbrio e a funcionalidade da nossa Constituição, e não
há mais possibilidade de se enfrentar essa crise com decisões consideradas
válidas da perspectiva constitucional.
O
problema maior é que não temos a quem apelar para corrigir os rumos dessa
crise.
Acontece
que os próprios guardiães da Constituição – por dever de ofício, os Ministros
do STF – tornaram-se violadores contumazes do prescrito em nossa carta magna, abusando
ostensivamente de suas autoridades, com inúmeras decisões consideradas ilícitas,
imorais ou injustas, no entendimento de todo jurista sério.
Assim,
a crise extrapolou o político, chegou na farda e agora já ameaça a segurança
nacional. Em um julgamento totalmente
questionável, realizado por juízes suspeitos de fato e de direito, em cabal
afronta ao devido processo legal, oficiais da ativa e da reserva, inclusive
quatro Generais, foram sentenciados a mais de 20 anos de prisão, condenados –
dentre outras acusações absurdas – por “organização criminosa armada” sem
que houvesse sequer uma arma presente nos chamados “atos golpistas”.
Quando
líderes militares de ilibada reputação são clamorosamente injustiçados, todos
os valores militares são questionados pelos soldados, e o moral da tropa é
ferido de morte.
Ademais,
fruto de um revanchismo pouco inteligente, ou como artimanha ideológica retrógrada
para deslegitimar qualquer apoio a uma reação militar de direito contra o
autoritarismo que se instalou no país, o Governo teima em instigar uma campanha
de descrédito do Exército e de seus Comandantes. Coordenada e persistente, essa
orquestração tem mostrado nas mídias e redes sociais, diariamente, os chefes
militares submetidos a decisões políticas contrárias à natureza do Exército,
além de providências administrativas de Governo depreciadoras da profissão
militar, inclusive com iniciativas parlamentares voltadas para desqualificar a
Força quanto ao cumprimento de suas missões constitucionais.
Aparentemente,
tais atitudes do Governo têm sido apresentadas à população como “aperfeiçoamento
da democracia”. Entretanto, é nefasto para o moral da tropa – para a alma do
Exército – o descuido das autoridades responsáveis pela eficiência operacional
da tropa quanto à manutenção dos chamados distintivos militares
(hierarquia, disciplina, lealdade, espírito de corpo, coesão, camaradagem,
honra...), aqueles não encontrados em nenhuma outra profissão.
Recentemente,
o Papa Leão XIV descreveu a situação global como “uma terceira guerra
mundial aos pedaços”, evidenciando um consenso geopolítico atual de que
os múltiplos conflitos bélicos em curso estão interligados, resultam de lógicas
imperialistas, e são imprevistos no mais das vezes. Os ataques à Ucrania, e à
Venezuela comprovam quão tênue é a linha que separa um país hoje de uma
agressão armada.
Enquanto
isso no Brasil, o Sr José Dirceu – antigo guerrilheiro, fundador do PT,
condenado por corrupção, mas beneficiado por sucessivos perdões “cumpanheros” –
tem ameaçado o país de “revolução” e até “guerra civil”,
assegurando que o PT irá “tomar o poder”, caso Lula não consiga se reeleger
em 2026.
Não
se iludam, senhores atuais donos do poder. O cumprimento de missões
constitucionais de defesa da Pátria, garantia dos poderes
constitucionais, da lei e da ordem, hoje inclusive ameaçadas por
integrantes do partido do Governo, dependem muito da credibilidade e confiança
da tropa nas instituições e, mais ainda, da alma do Exército.
Gen Marco Aurélio
Vieira
Foi Comandante da
Brigada de Operações Especiais e da Brigada de Infantaria Paraquedista
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