Quinta-feira, 9 de abril de 2026 - 12h55

A
logística de palavras, usada pelo escritor regular, com o intuito de se fazer
entender ao término do texto, às vezes, é traída pela dinamicidade da língua,
mudando a semântica, complicando o entendimento, obrigando a observância do
circunstancial, no contexto: até bem pouco tempo o substantivo dedurismo
(derivado de dedo-duro), só era usado no sentido pejorativo, para denominar
pessoas sem ética, sem caráter, hoje é sinônimo de delação, não uma delação
qualquer, mas premiada!
Delação
premiada passou a ser o sonho de quem, durante anos e anos de sua vida,
locupletou-se, como homem público ou privado, usando meios escusos para auferir
recursos públicos, ainda assim tolerado e aplaudido, desde que os dedurados sejam
da sua iguala e representem os poderes da república.
Amanhã,
muitas crianças, que se envergonhavam dos pais ladrões porque políticos
corruptos, dirão orgulhosamente à professora e aos colegas: − meu pai é um
delator premiado!!!
A
primeira delação premiada, festejada pela história judaica/cristã, não teve um
final feliz, Judas ganhou 30 moedas, mas não suportou o peso da consciência, se
fosse hoje, talvez a história fosse diferente: Judas se mudaria para alguma
ilha grega, a fim de desfrutar as benesses das suas moedas de ouro.
“Dedo
duro” era a alcunha mais temida na vida de um cidadão. Lembram de Wilson
Simonal, marcado pela classe artística por ter supostamente dedurado colegas de
profissão ao DOPS, na vigência do Governo Militar?
Lembram
de José Genoíno, acusado por muita gente do PC de ter dedurado seus colegas,
durante a guerrilha do Araguaia? Até hoje ele carrega essa pecha, como um fardo
insuportável.
No submundo
do crime, o prêmio de uma delação era uma bala na cabeça, e isso vigorou até
bem pouco tempo, segundo meu “ponto” ficcional, colocado no ouvido da
imaginação, ainda vigora até hoje. Alcagueta é um termo policial comum à
marginalidade.
O mundo
dá voltas, o vulgar “dedo duro” virou delator, ou melhor, autor de delação, que
por ser algo considerado bom para a sociedade, é premiada. O tal Daniel Vorcaro,
conhecido internacionalmente como meliante, corrupto da pior espécie, estava
preso numa penitenciária comum, mas tão logo se autodenominou um delator premiado, foi transferido para um apartamento especial,
nas dependências da PF, local este já ocupado por um ex-presidente da
república. – “Tratem bem o
delator, do contrário, muitos comparsas dos três poderes poderão vir à tona”.
De fato,
“dedo duro” é chulo, delator é chique, principalmente agora que o termo passou
a frequentar a banca dos melhores advogados do país e está na pauta do MP, do
STF, do Congresso e do Executivo Federal: o
instituto da delação premiada, a partir de agora, é um ato jurídico perfeito, declarou
pomposamente certa presidente do STF.
Acredito
que a partir deste momento muitos políticos investigados, soltos depois de
cumprirem pequenas penas, ou empresários de grande porte, que sequer foram
presos, mandarão colocar em suas salas de recepção, um quadro moldurado, nos
moldes de um diploma: Fulano de tal, “delator premiado”, com a assinatura dos
representantes da PGR e do STF.
Outros
dirão em comícios populistas, votem em mim, eu sou um delator premiado, eu
devolvi parte do que furtei e ainda mandei pra cadeia muitos dos meus colegas,
se estou solto e pleiteando uma nova oportunidade é porque fui premiado pelo MP
e pelo STF. Prometo que vou continuar exigindo propinas, mas devolverei parte delas
para bem do Brasil, o que significa dizer que estarei sempre lutando por mais e
mais obras públicas.
E viva o
Brasil, o país da impunidade! E ainda há quem se surpreenda com o péssimo
ensino público, com os parcos recursos para a saúde, com as distâncias socais e
com o aumento da violência nas cidades brasileiras.
Gostaria
de ter nascido, onde não se estranharia a seguinte conclusão: político ou
empresário corrupto, tão logo fosse preso e condenado, seria automaticamente
fuzilado em praça pública e delator corrupto, mas que contribuísse para mais
fuzilamentos, seria premiado com uma morte menos violenta: injeção letal!
Quinta-feira, 9 de abril de 2026 | Porto Velho (RO)
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