Domingo, 15 de março de 2026 - 08h10

Passei a véspera de Natal em companhia de minha
mulher, na residência de casal amigo, que gentilmente nos convidaram.
A consoada foi simples: o tradicional bacalhau
com batatas, pencas e grelos. Tudo regado com generoso azeite trasmontano. Após
a farta ceia, houve doces da época e, apetitosas e douradinhas rabanadas.
Realizada a troca habitual de lembranças -
sempre ansiosamente esperada pelas crianças - aconchegamo-nos ao redor da
cálida lareira.
As a achas, colocadas de fresco, estrelejavam e
crepitavam; altas labaredas irradiavam tons doirados com tonalidades, que iam
de vermelho a verde-pálido, lambendo os ressequidos toros de oliveira.
As crianças tagarelavam. em surdina, com
bonecas que o " generoso" Menino - Jesus lhes trouxera; e nós, os
mais velhos, debatíamos acaloradamente "importantes” assuntos em voga.
Abordou-se, entre outros, os meios de
comunicação, e a influencia que exercem na opinião; na escolha dos cidadãos.
(Numerosos países proíbem sondagens políticas, durante a campanha eleitoral.
Entre eles: a Espanha - cinco dias antes do dia de reflexão, e a Itália. duas
semanas. Erradamente julgamos que pensamos; mas não pensamos: somos simples
bonifrates. E nem nos lembramos, a influencia que exercem, na nossa mente, os
meios de comunicação.
Estávamos a prosear animadamente, quando
me apercebi de vozes infantis em
murmúrio. Dois petizes, que frequentavam o quarto ano, engalfinharam-se:
- Salazar era mau!...
refutou o amigo, empertigado:
- Não
era Salazar!... Era a polícia!...
- A "fessora" disse-nos que"
fazia" guerra” nas colónias....
- Colónias?!: Não: Províncias Ultramarinos!...
Os ânimos acalmaram-se, derivando para temas
apropriados para a idade. Temas que não deviam entrar na escola. Assuntos, que
são apenas da família: pais e avós. Estarei em erro?
A
sociedade mudou - sempre muda, - Apareceram, no nosso país: novas culturas, e novos
modos de viver, que devem ser respeitados
Já o nosso Camões dizia:
"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.
A globalização, a entrada de imigrantes, com diferentes culturas e crenças, deve
ser respeitada; e igualmente rever: mentalidades, conceitos e preconceitos, se
queremos
concórdia e paz.
Contudo não devemos abdicar das nossas:
tradições, costumes, crença e raízes, que herdamos dos nossos maiores, e
devemos transmiti-las a futuras gerações.
Isso não é nacionalismo, é o desejo de
continuarmos a ser portugueses.
Sábado, 6 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)
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