Quarta-feira, 2 de julho de 2025 - 13h57
Eu tinha uma amiga chamada Teresa, que
pertencia a família tradicional da Capital. Disse: tinha, porque já faleceu.
Frequentara, desde menininha, conhecido colégio
de Lisboa. Era alegre e folgazona. Nas horas de ócio, gostava de versejar. Eram
singelos e inocentes poemas de amor, ou de coração, como queiram, que guardava
religiosamente, na gavetinha da secretária.
Por mero acaso, descobriram-lhe o "segredo”,
tão bem recatado, e levaram-no ao conhecimento do pai – figura conhecidíssima,
no País.
Encantado com o talento da filha, lembrou-se de
lhe fazer a surpresa de os reunir em livro. Consultou amigos e obteve o parecer
de Miguel Trigueiros, e todo lhe disseram, talvez por cortesia: "
Atendendo à idade, a adolescente, promete."
Animado por essas "amáveis" palavras,
o babado pai, meteu mãos à obra.
Contou à filha o que pretendia. A jovem pulou
de alegria, fantasiando vê-los em letra de forma.
Ajustou o preço com tipografia amiga. Por
amizade conseguiu, também, que intelectuais – escritores e jornalistas ilustres
– escrevessem palavras lisonjeiras nas abas da obra, e teve a oportunidade da
menina ser apresentada na TV.
Antes de entrar no estúdio, a adolescente
tremia de receio e vergonha. O entrevistador, condoído, sossegou-a: "
Quem vai guiar a entrevista sou eu. Só tem que responder às perguntas. Não se
acanhe, eu ajudo."
O livro foi publicado e tornou-se êxito de
venda.
Deslizaram os anos. O pai faleceu. A menina
casou com um industrial, e foi viver para a província. Entretanto escrevia
poemas...já não eram de amor...
Pensou coligi-los. Estava. intelectualmente,
mais madura, e acicatada por amigas, publicou o livro, buscando distribuidora.
A obra não teve a venda desejado. O que lhe
faltou? Respondeu-me por e-mail: "Faltou-me o pai, principalmente a
influencia que tinha.”
Quantos autores de contos e romances, de prosa
sublime, vêm os textos preteridos pelos editores, ou dispersos em jornais
locais, esperando possível publicação? – Que nunca chega.
Quantas obras-primas de literatura, dignas,
dormem pelas gavetas ou são meros monos no escaparate do livreiro, esperando
que alguém os vá acordar, como a bela adormecida, porque não encontram mecenas
que os lance?
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