Quarta-feira, 21 de junho de 2023 - 14h29

Ferramentas de suporte à decisão
clínica (SDC), quando implantadas no ponto de atendimento de maneira eficiente,
podem otimizar os resultados do setor de saúde, uma vez que impactam a
experiência dos pacientes e a performance do médico. No entanto, para
que isto ocorra, é preciso que essas tecnologias integrem-se perfeitamente não
apenas ao fluxo de trabalho dos profissionais de saúde, mas também ao sistema
já existente no hospital, a fim de facilitar e não exacerbar a carga de
trabalho do corpo clínico.
Geralmente, quando um hospital demora
para aderir estas soluções, é por conta dos desafios relacionados a sua
usabilidade, a falha dos fabricantes em entender as reais necessidades dos
médicos e, ainda, a dificuldade em integrar a solução ao Prontuário Eletrônico
do Paciente (PEP).
Por outro lado, ferramentas de SDC de
ponta podem ajudar, e muito, os profissionais de saúde a identificarem padrões
e realizarem diagnósticos baseados em evidências, prescrevendo tratamentos
ainda mais seguros. Isto porque, essas tecnologias devem ser desenvolvidas com
o objetivo de promover maior efetividade clínica.
Fadiga de alertas
Outro ponto de atenção é com relação
aos alertas gerados por essas ferramentas, uma vez que são muitas as demandas e
desafios que os médicos precisam lidar diariamente, e, em um cenário
pós-pandemia, muitos já estão à beira do esgotamento. Desta forma, quando estas
soluções são adicionadas a sua rotina com alertas em excesso, os profissionais
tendem a ignorá-los.
Isto causa uma fadiga de alerta,
fenômeno psicológico desenvolvido quando médicos frequentemente são expostos a
informações irrelevantes para as questões de saúde de seus pacientes. Quando
isto ocorre, a efetividade das informações diminui significativamente, pois o
médico passa a anulá-las sem antes considerá-las. Além disso, ineficiências e
fadiga de alertas aumentam a possibilidade de os profissionais perderem
observações cruciais para os pacientes.
No entanto, com os avanços das
tecnologias, a melhor colaboração e a aproximação mais holística do sistema e
conteúdos em desenvolvimento, os alertas estão aumentando em qualidade e
diminuindo em quantidade, uma vez que a união de funcionalidades passa a
considerar o contexto dos pacientes, e essas informações serão melhores
filtradas.
Benefícios das ferramentas de suporte à
decisão clínica
Essas soluções, no ponto de
atendimento, podem reduzir prescrições erradas, alertar médicos para um
potencial efeito adverso ou interação com medicamento. Desta forma, ao integrar
um formulário customizado no fluxo de trabalho, os hospitais podem, até mesmo,
fornecer considerações de dosagens para um paciente em particular enquanto
melhoram o gerenciamento do formulário.
Entre muitas outras funções, essas
tecnologias também oferecem orientações atualizadas aos médicos quando e onde
eles precisarem, possibilitando vigilância de detecção de doenças e integração
com Prontuários Eletrônicos para identificação e monitoramentos mais rápidos de
infecções adquiridas na área da saúde, além de apoiar de forma mensurável e
sustentável o envolvimento do paciente.
Conclui-se, portanto, que a adoção dessas ferramentas tem crescido, mas usá-las em todo o seu potencial requer maior interoperabilidade, eficiência e facilidade de uso, incluindo alertas oportunos e integração efetivas com o PEP. Só assim, será possível otimizar significantemente a decisão clínica, reduzir erros de diagnóstico e prevenir disrupções no fluxo de trabalho.
*Ana Paula R. Lima é Executiva Comercial, da Wolters Kluwer, Health Brasil.
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