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A hora está chegando


A hora está chegando - Gente de Opinião

Costuma-se dizer que o povo tem a força numa democracia, o que não deixa de ser uma verdade. Em termos práticos, porém, muitos são os mecanismos que impedem a participação popular no jogo do poder politico. Um desses mecanismos remete à falsa ideia de que o bem-estar de uma sociedade deriva, por exemplo, de algum tipo de super-herói, alguém com poderes mágicos para conduzir o povo a um destino melhor. Pura balela. A maior possibilidade de que isso venha a ocorrer está na maneira como a população se comporta diante de seus representantes, nos três níveis de poder.

Aproveitando que, muito em breve, vivenciaremos uma temporada de campanha eleitoral, não custa lembrar Nicolau Maquiavel, para quem a estabilidade politica depende de boas leis e instituições sólidas, e que a energia criadora de uma sociedade livre não é dádiva de heróis. Ela decorre do confronto entre os grandes e o povo. Ou, colocado de outra maneira, entre o povo e aqueles que o povo elege para representá-los, por entender que os conflitos sociais são próprios à natureza mesma da liberdade.

No momento em que o eleitor de Porto Velho se prepara para participar de mais um dever cívico, seria bom que ele assumisse realmente uma postura conflitante com os políticos que têm responsabilidade direta com os problemas sociais que se manifestam em todos os setores da vida municipal. A Justiça Eleitoral trabalha de modo a preparar o pleito que se aproxima, realizando, assim, a parte dela. Logo, os candidatos terão vez e voz no horário eleitoral gratuito, procurando dar o recado deles. Depois, será a vez de o eleitor, em última análise e na condição de principal fiador e beneficiário da democracia, encarar os seus conflitos sociais, procurando estabelecer, nas urnas, uma postura clara e incisiva nesse sentido. Sem isso, jamais conseguiremos nos livrar das tranqueiras que impregnam a seara politica.

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