Segunda-feira, 12 de janeiro de 2026 - 18h12

A Inteligência Artificial (IA) é central nas inovações tecnológicas do
século 21 e se faz presente em produtos, serviços e dispositivos do cotidiano.
É crucial reconhecer que ela também traz consequências involuntárias, além de
seus efeitos positivos. O filósofo e sociólogo Jacques Ellul (1968) já alertava
que “toda aplicação técnica, em suas origens, apresenta efeitos (imprevisíveis
e secundários) muito mais desastrosos do que a situação anterior.” Assim, a
análise da IA deve ser pautada pela prudência, levando-se em consideração não
apenas os benefícios, mas, sobretudo, os desafios que podem surgir.
Historicamente, a sociedade rechaçou inovações, sob o temor de que o
cotidiano das pessoas fosse ameaçado. No entanto, tal resistência nunca foi o
suficiente para impedir avanços. Onde há demanda, a Tecnologia irrompe, ganha
força e conquista usuários. A eletricidade substituiu velas, e os smartphones
fundiram outros meios de Comunicação. Essa inevitabilidade mostra que, apesar
das preocupações, ao longo da história, a adaptação e a busca por eficiência
prevalecem.
Neste contexto, a discussão sobre uma IA responsável é vital. Tal
abordagem busca garantir que os sistemas de Inteligência Artificial sejam
éticos, confiáveis e benéficos, respeitando princípios fundamentais, como
justiça, transparência, confiabilidade, privacidade e inclusão.
Entretanto, no Brasil, persistem desafios práticos, como o acesso
limitado ao ensino de qualidade. O País carece de formação básica para que a
população lide de forma segura com os avanços tecnológicos.
Um dos perigos da IA, inclusive, é a migração do crime do mundo real
para o cibernético. Compreender o ecossistema digital de cibersegurança e
prevenir crimes é fundamental. A transição do físico para o ciberespaço
encoraja comportamentos delituosos, alimentados pela sensação de impunidade e
anonimato.
Exemplo recente, que ganhou repercussão nacional, ilustra este tipo de
risco: uma mulher, do Rio Grande do Sul-RS, foi, supostamente, enganada por
golpistas, que utilizaram IA para simular um relacionamento dela com o ator e
produtor norte-americano Brad Pitt. Convencida de que se encontraria com o
astro do cinema, ela aguardou por horas no aeroporto, no Brasil — até descobrir
que tudo não passava de fraude.
O caso evidencia como as tecnologias podem ser manipuladas para
ludibriar seja quem for. Situações como esta se repetem diariamente e reforçam
a necessidade de cautela em interações on-line.
Os governantes, portanto, devem criar parâmetros éticos para o uso da
Inteligência Artificial; e investir em Polícia Investigativa, para desarticular
organizações criminosas que operam digitalmente. Sem políticas públicas
adequadas e investimentos significativos nas Polícias Civis, o Brasil poderá
enfrentar um cenário de alta criminalidade digital, o que coloca em risco a
segurança dos cidadãos e a integridade dos bancos de dados públicos e privados.
A ascensão da IA apresenta, simultaneamente, oportunidades e dilemas.
Para navegar pelo mundo digital, é imprescindível que a sociedade se prepare,
com regulação do uso da Tecnologia, de forma ética e investimento no policiamento
cibernético e na Educação Digital da população.
*Jacqueline Valadares é delegada de Polícia; presidente do Sindicato dos
Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp); mestranda em Direto,
pela Universidade Estadual Paulista (Unesp); pós-graduada em Direito Penal, em
Processo Penal, e em Inteligência Policial; e especialista em Defesa da Mulher
e de Grupos Vulneráveis.
*Arthur Cassiani é servidor do Tribunal de Justiça (TJ) do Estado de São
Paulo; doutorando e mestre em Direito, pela Universidade Estadual Paulista
(Unesp); e pós-graduado em Direito Público, em GovTech e em RegTech, pelo
Instituto New Law
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