Quarta-feira, 14 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Opinião

Artigo: Por um nível de corrupção suportável


  
Nas discussões sobre a corrupção no Brasil é comum que alguém desenvolva uma teoria sobre termos tendência genética, em razão da nossa formação inicial com deserdados portugueses. Nada mais falso. Corrupção é desvio comportamental e não genético. Todas essas teorias miram um período como a vinda de D. João VI, o pós-guerra ou ainda, a ditadura militar. Claro que em cada período citado ou em outros, tivemos maior ou menor índice de percepção da chaga, o que nos leva a afirmar que todas essas teorias têm algo de verdadeiro, mas que seria uma corrupção intelectual, adotar e Artigo: Por um nível de corrupção suportável  - Gente de Opiniãoafirmar como única, qualquer uma delas. E o que importa mais, decifrar a sua gênese ou optar pela erradicação do comportamento de forma atemporal? Sem descobrir suas causas é possível tratar suas conseqüências? Creio que em primeiro lugar é necessário que tomemos consciência de que a corrupção faz mal à sociedade, independentemente de focarmos a face do corrupto ou do corruptor para enfrentarmos o caminho da estabilidade dos costumes. E o que significa corromper? No Michaelis é: decompor, estragar, tornar podre, alterar, desnaturar, mudar para mal, depravar, perverter, viciar, induzir ao mal e seduzir. Mas, no dia a dia, além de todos esses significados a corrupção trás junto sua irmã gêmea – a impunidade – e contamina o frágil tecido social com duas conseqüências diretas: a descrença nas instituições, dentre as quais a justiça e a certeza de que a corrupção é parte integrante da sociedade e logo, admissível. Essa talvez seja a pior conseqüência. Se uma alta autoridade do governo pode ser corrompida por uma empreiteira ou fazer tudo ao arrepio da lei e sem ser alcançado por ela, aquela autoridade menor, um guarda de trânsito, um fiscal de rendas, da saúde ou do meio ambiente também pode. Acreditam nisso tanto o corrupto quanto o corruptor. Em todas as capitais do país o jogo ilegal – bicho ou bingos – é praticado com a conivência da polícia. Qualquer pessoa pode tirar a licença para dirigir, sem pisar os pés num Detran de qualquer estado. Mas, tudo isso é brincadeira de criança se compararmos às grandes negociatas que ocorrem, por exemplo, a partir do Orçamento Geral da União onde alguns ganham e todos perdem. Situação análoga à inflação. Um dia o país percebeu que todos perdiam com ela. Várias tentativas foram feitas até que de repente, a cultura anti-inflacionária foi absorvida por toda a sociedade, inclusive pelos grupos que julgavam levar alguma vantagem com ela. Domar a inflação mesmo com todo o aparato científico foi demorado e combater os repiques inflacionários virou política pública. Para combater a corrupção porém, não existem fórmulas científicas. Inicialmente é necessário o envolvimento da sociedade para interromper a cultura e isso é tão complicado como querer acabar com o tal “jeitinho brasileiro”. Mas, como virar a mesa com o sistema judicial arcaico, amparado pelo artigo 5º da Constituição – “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória” – se esse sistema adota subsistemas que permitem por exemplo, o foro privilegiado ampliado, as imunidades parlamentares que se transformaram em refúgios judiciais e a infinidade de recursos procrastinatórios que impedem que a sentença seja prolatada a tempo de alcançar o criminoso? A internet, com sua estrutura anárquica, tem contribuído para que a “corrupção oficial” caia na rede e que a sociedade tome conhecimento, a tempo de manifestar-se contra. O problema maior é que em pontos chaves dos três Poderes Constituídos estão encasteladas pessoas investidas do poder de barrar ações para impedir que a maracutaia, o roubo, o desvio, ou o nome que se queira dar aconteça. Mas o processo avança. Por ora o que queremos é que a corrupção seja suportável. 

Fonte; Léo Ladeia / www.gentedeopiniao.com.br  / www.opiniaotv.com.br
leoladeia@hotmail.com  

Gente de OpiniãoQuarta-feira, 14 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Juiz americano joga pá de cal nas pretensões de Vorcaro

Juiz americano joga pá de cal nas pretensões de Vorcaro

Foi preciso que um juiz americano, motivado por um acionista do Banco Master, reconhecesse a legalidade do processo de liquidação da instituição par

Motorista Nota 10: a Ideia Visionária que Humaniza o Trânsito Brasileiro após 32 anos

Motorista Nota 10: a Ideia Visionária que Humaniza o Trânsito Brasileiro após 32 anos

O Brasil — e toda a humanidade — avança graças a homens pensantes, cujas ideias visionárias combatem epidemias sociais como a violência no trâns

O voto da diáspora - direito ou privilégio?

O voto da diáspora - direito ou privilégio?

Do “Portugal ingrato” ao debate sobre quem merece representaçãoO debate sobre o direito de voto dos emigrantes portugueses regressa ciclicamente a

A política não é ambiente para fanfarrões

A política não é ambiente para fanfarrões

A hipocrisia está presente em quase todas as relações humanas, porém, é na política, que ela se mostra com maior desembaraço, principalmente no perí

Gente de Opinião Quarta-feira, 14 de janeiro de 2026 | Porto Velho (RO)