Porto Velho (RO) segunda-feira, 19 de agosto de 2019
×
Gente de Opinião

Opinião

Artigo: O poder real do voto


 

Houve um tempo, no Brasil, em que o poder era exercido por apenas uma pessoa: o Rei, que se cercava dos homens mais influentes do Império para administrar o nosso imenso país. E a palavra do Rei nunca voltava atrás. Qualquer que fosse a decisão de Sua Majestade, cabia aos reles mortais apenas cumpri-la, obedecê-la, sem direito de questioná-la. Ao povo não era dado o direito nem de se manifestar publicamente. O povo não tinha acesso ao Rei, sequer podia tocar nas suas vestes. Na prática, tínhamos duas classes de brasileiros: os abastados (o Rei e seus asseclas) e os esquecidos, que tinham de engolir tudo o que lhes era imposto.

Ainda bem que esta é uma realidade que há muito tempo ficou para trás. Depois de séculos de lutas políticas e sociais, alcançamos a tão sonhada democracia. Com todas as suas falhas, com todas as suas imperfeições, é o regime de governo mais completo que temos no mundo, porque o poder é exercido pelo povo. Hoje, temos liberdade de ir e vir, liberdade de expressão, liberdade de culto religioso, ou seja, temos o pleno direito de concordar ou não com o próprio governo, de criticá-lo, de questionar na justiça suas decisões, de protestar nas ruas, de fazer greves, e o mais importante: temos o direito de escolher quem irá nos representar no Poder Executivo e no Poder Legislativo.

E por falar em Legislativo (Câmaras de Vereadores, Assembléias, Câmara dos Deputados e Senado Federal), afirmo, sem medo de errar, que é onde mais se exerce a democracia. Sim, porque tudo ali é decidido no voto. Pela regra geral, quem tem maioria, vence; quem é minoria, protesta, obstrui discussões, contesta votações, etc. Mas sempre - sempre mesmo! - tudo é resolvido na base do voto.

O eleitor hoje é o Senhor do Brasil. É ele quem vai decidir se o candidato A, B ou C vai ocupar a Presidência da República, ou não; se determinado nome é bom ou não, se está capacitado ou não e se merece ou não ocupar uma vaga na Assembléia Legislativa, na Câmara dos Deputados ou no Senado Federal. Isso quer dizer que o tempo da imposição, da decisão vinda de cima para baixo já se foi, da mesma forma como se desmoronou o pomposo Império dos Orleans e Bragança. Por isso, a responsabilidade de cada um de nós no processo eleitoral é muito grande. O meu, o seu, o nosso voto é que vai decidir o futuro do nosso estado e do nosso país.

Hoje, não existe mais o voto de cabresto, aquele voto comprado e controlado pelo famoso “coroné”. Existem imperfeições? Claro que sim! Afinal, o ser humano é falho por natureza. Mas o que vale agora é a decisão do eleitor, que, por ser manifestada de forma livre e democrática, é soberana. Agora, o eleitor é o Rei, sua decisão se sobrepõe a acordos políticos, a pressões do dinheiro e a qualquer tentativa de se castrar a democracia. O poder do voto é intransferível, indelegável, é uma arma poderosa, capaz de mudar os rumos da história.


Moreira Mendes
Deputado Federal pelo PPS

Mais Sobre Opinião

Meu cargo, minha vida

Meu cargo, minha vida

Bolsonaro se revelou um profundo conhecedor da natureza humana

Cada quadrado no seu quadrado

Cada quadrado no seu quadrado

Os argentinos são como são. E não querem nem aceitam conselhos.

Feliz dia de quem matou os pais!

Feliz dia de quem matou os pais!

Dia em que Suzane von Richthofen e Alexandre Nardoni estão de férias da prisão.

Brasil,  192 anos dos Cursos  Jurídicos  Salve o dia 11 de agosto, dia dos advogados

Brasil, 192 anos dos Cursos Jurídicos Salve o dia 11 de agosto, dia dos advogados

O Brasil, último país a acabar com a escravidão tem uma perversidade intrínseca na sua herança, que torna a nossa classe dominante enferma de desigual