Porto Velho (RO) domingo, 25 de agosto de 2019
×
Gente de Opinião

Opinião

Artigo: MANAUS E O DESENVOLVIMENTO


 
Bruno Peron Loureiro

Manaus é uma terra de energia e grandeza. As culturas desta cidade são diversas e exuberantes; a natureza ao seu redor, em meio à floresta amazônica, é frondosa e magnificente. Ao contrário do que esperava, encontrei uma urbe grande e moderna: extensa, quase dois milhões de habitantes e número crescente de edifícios altos e condomínios de luxo, como no bairro da Ponta Negra. Prosperam algumas regiões, porém, ao mesmo tempo que outras se deterioram, como a zona Leste. Manaus provocou-me assim dois sentimentos inconciliáveis: encanto e comoção.

Problemas parecidos com os de outras cidades grandes do país: delinqüência, mendicância, congestionamento automotivo em horários de pico, acúmulo de lixo na área central, sobreposição das culturas de elite, e separatismo de classes. Até se convence de que Manaus tem comparativamente índices mais baixos de violência porque o infrator, comentou um taxista, não teria para onde fugir devido ao isolamento da cidade, cujo acesso majoritário é por via aérea ou pelo rio Negro. As rodovias são escassas, o que justifica a rodoviária pequena, e ao redor é selva.
 
Esta cidade, no entanto, possui vôos diretos a Estados Unidos, país do qual recebe grande quantidade de turistas ávidos para conhecer a Amazônia; o governo do estado do Amazonas investe fortemente em propaganda audiovisual de integração de seu povo através do slogan de que é um orgulho ser amazonense; e o que mais integra esta região ao restante da federação são os meios de comunicação, sobretudo os programas da rede Globo, que, a meu ver e com o Rio-centrismo desta emissora, mais anulam as particularidades dos amazonenses que as promovem.
 
Ainda sobre a questão da semelhança de Manaus com outras cidades brasileiras, a idéia que mais me surge é a de povoamento em função de alguma atividade econômica. Naquela, o auge do ciclo da borracha (entre 1850 e 1910) ensejou um processo de expansão da cidade, atração de mão-de-obra de outros estados e configuração de uma oligarquia, que se formou a partir da figura do “barão” e de outros imigrantes europeus. Construíram-se em função deste gênero de exploração, entre outros, o Palácio Rio Negro e o Teatro Amazonas.
 
Logo na segunda metade do século XX, formou-se um dos maiores centros industriais do país com a Zona Franca de Manaus. Como de costume, buscou-se mão-de-obra barata e atraiu-se contingente de outros estados, mormente das regiões Norte e Nordeste. Esta cidade tem sua peculiaridade. Engoli, contudo, dois sapos. Um é o de entendê-la como o interesse de um pequeno grupo em precarizar o trabalho do povo brasileiro para remunerá-la cada vez menos desde a expansão industrial. O aumento descontrolado da população do nosso país responde a esta demanda.
 
E outro é a minha dúvida da viabilidade de promover o crescimento industrial no meio da selva quando a ênfase deveria ser a proteção ambiental. A sujeira dos portos e a expansão periférica da cidade com moradias e fazendas são alguns dos meus argumentos. Em outras palavras, não sou a favor de um distrito industrial nesta cidade porque a depredação ao redor se torna inevitável. Escrevi este texto sobre papel reciclado de caixa de presente. A ocasião era propícia para fazer-me refletir. Roguei, neste ínterim, que o futuro de Manaus acompanhe o desenvolvimento sustentável e demonstre que outro modelo é possível.

Fonte: Bruno Peron Loureiro é bacharel em Relações Internacionais – UNESP 

Mais Sobre Opinião

O bom do silêncio

O bom do silêncio

Bolsonaro disse que não adianta exigir dele a postura de estadista, por que não é estadista.

Meu cargo, minha vida

Meu cargo, minha vida

Bolsonaro se revelou um profundo conhecedor da natureza humana

Cada quadrado no seu quadrado

Cada quadrado no seu quadrado

Os argentinos são como são. E não querem nem aceitam conselhos.

Feliz dia de quem matou os pais!

Feliz dia de quem matou os pais!

Dia em que Suzane von Richthofen e Alexandre Nardoni estão de férias da prisão.