Segunda-feira, 9 de novembro de 2009 - 07h30
Bruno Peron Loureiro
O tema da mudança climática, para uns, é pedra no calçado porque afeta seus negócios, enquanto, para outros, é motivo de agir prementemente a fim de estancar um processo de evolução apocalíptica. O debate mundial é acalorado.
Habitantes de estados brasileiros com áreas florestais extensas, como Acre, Amazonas e Pará, já se acostumaram a receber notícias de que tantos quilômetros quadrados do terreno vizinho são diariamente desmatados, assim como é frequente no interior do estado de São Paulo que as casas se sujem de queimada de cana-de-açúcar devido a práticas primitivas na colheita. Se experiências ambientais nefastas são tão próximas, por que não resolver o problema interno antes de cobrar atitudes de outros países?
Os problemas ambientais enfeixam-se num conjunto inadiável de temas, como o da mudança climática. O modelo de consumo e industrialização danoso está longe de substituir-se completamente. O desmatamento e as emissões de gás carbônico pela poluição veicular e industrial, quando não emitem gases de efeito estufa, colaboram para o aquecimento global. Alguns dos efeitos que já se notam são o derretimento de geleiras e o calor excessivo.
A questão é oportuna no contexto da rodada de negociação sobre mudança climática que ocorreu em Barcelona, Espanha, semana passada. Participaram mais de quatro mil profissionais que direta ou indiretamente interferem no assunto. Esta ocasião reuniu esforços pressagiosos ao que se decidirá na Conferência de Copenhague, que terá lugar na capital de Dinamarca de 7 a 18 de dezembro com o objetivo de estabelecer um novo acordo mundial em substituição ao Protocolo de Kioto, que expira em 2012.
Todos os países propõem-se discursivamente a cooperar nos debates e nas ações sobre o tema, mas a grande dificuldade é que alguns resistem a assumir compromissos jurídicos, como China e Estados Unidos. É de conhecimento dos estadistas e de desconfiança dos demais cidadãos que o procedimento de vinculação por meio de acordos e tratados internacionais é moroso. Toma tempo para realizar-se. E um cronômetro com bateria fraca dificulta a ação em reuniões oficiais de mudança climática.
A pressão sobre os Estados Unidos é maior devido às assimetrias no papel de cada país na resolução de problemas de impacto mundial. Aquele foi premiado jocosamente em Barcelona como “fóssil do dia”, cujo título se outorgou pela Climate Action Network (CAN) ou um grupo de mais de 450 ONGs que definem diariamente o país que mais obstrui a negociação. Ainda, é desalentador que o presidente estadunidense Barack Obama deve esperar a postura do Congresso de seu país antes de tomar decisões, ou seja, a legislação nacional sobre a matéria deve antecipar a firma de qualquer acordo internacional.
Ativistas, defensores do meio ambiente e militantes preveem que o evento de Copenhague será mais um daqueles que rende discursos feéricos sobre a mudança climática e trombam com a burocracia. Antes qualquer reunião que nada, diriam os menos pessimistas. Em seu turno, os otimistas farão o “happy hour” de fim de expediente com a consciência tranquila porque terão proferido o necessário para acalmar as animosidades. O risco que corremos, contudo, é o de a natureza sucumbir sob nossos caprichos.
Bruno Peron Loureiro é mestre em Estudos Latino-americanos.
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