Porto Velho (RO) sexta-feira, 27 de novembro de 2020
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Artigo: A colonização recente de Rondônia




“Porto Velho é uma cidade que cresceu e cresce caoticamente, tanto estrutural assim como demograficamente. Sua população perplexa, sem norte, vegeta sem objetividade, alienada do processo sócio-político, econômico e cultural, superpondo os interesses individuais sobre os coletivos comunitários, da mesma forma como procedem os atores dos poderes públicos, descomprometidos com a promoção da plena cidadania e com a busca de soluções dos problemas que afetam a comunidade. Os jovens desassistidos sem a precípua formação e perspectivas de elevação social, não têm idealismo, nem ideologismo e propósitos de metas a alcançar”.

                                              Abnael Machado de Lima
                                              GEÓGRAFO E ESCRITOR



 

Foi dentro do contexto da ditadura militar que ocorreu a Colonização Recente de Rondônia. A Amazônia precisava ser “protegida”, e quem deveria defender a Amazônia senão o povo Brasileiro? Esse grande vazio demográfico era perigoso, facilitando “uma possível invasão Comunista”, pensamento deformado que só existia na cabeça dos militares na época.

O Golpe Militar de 1964 contou com forte apoio logístico e ideológico dos Estados Unidos que havia iniciado por lá a caça aos Comunistas. Dentro de um “modelo militar tupiniquim” a fobia de combate ao Comunismo se alastrou rapidamente por todo o território nacional.

Os militares, ao atingirem o poder em 1964 deram inicio a uma política radical de controle sobre os instrumentos políticos do Estado, deformando os instrumentos democráticos como sindicatos, associações, movimentos populares e o legislativo que perdeu sua autonomia política.

Professores e estudantes foram perseguidos, muitas universidades foram trancadas com cadeados e vigiadas por soldados muito bem armados, o movimento estudantil e sindical foi obrigado a atuar na clandestinidade.

A intelectualidade ficou assombrada quando percebeu que as ações de combate ao livre pensamento não possuíam limites, assistiram com perplexidade ao assassinato do operário Manoel Fiel Filho e mais tarde a profunda covardia cometida contra toda sociedade brasileira, quando divulgaram o “suicídio” do jornalista Vladimir Erzog, todos que possuíam um mínimo de juízo sabiam que se tratava de uma armação, a verdade não demorou a surgir, Vlad, como era chamado pelos amigos, foi assassinado com requintes de torturas enlutando a sociedade brasileira.

O exílio era outra triste realidade. Muitas pessoas tiveram que fugir para escaparem da prisão, tortura e morte, outros foram convidados a sair, principalmente os artistas que utilizaram sua música e poesia como instrumento de mudança, artistas que atuaram de forma a contestar as arbitrariedades, como Chico Buarque de Holanda e sua família.


 

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"Suicídio" do jornalista Vladimir Herzog...
(Detalhe: Pés no chão)



O regime de ditadura existente quase que em toda a América latina atendia aos interesses dos Estados Unidos da América, que disputava a hegemonia política e econômica mundial com a União Soviética, a chamada “Guerra Fria”. Muitas pessoas foram perseguidas, torturadas e mortas, outras tantas simplesmente desapareceram, o clima era de terror, as pessoas tinham medo de vestir uma camisa vermelha e participar de reuniões. O Brasil foi se sufocando, e para não morrer asfixiado lutou, reagiu e nos finais da década de setenta sentiu que os militares não se sustentariam. A ditadura ruía e um grande movimento foi surgindo, tomando praças ruas e avenidas. Foram as “Diretas Já”, que contou com a participação de toda a sociedade. Estava desenhado o fim do regime maldito, covarde e nocivo aos desejos de liberdade no Brasil.
 

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Chico Buarque de Holanda um dos pilares culturais da resistência.

O alinhamento aos interesses americanos era evidente e a Amazônia desabitada possuía suas fronteiras desprotegidas, portanto ameaçadas. Era um perigo ter uma região, rica, isolada, gigantesca e desconhecida, tão desprotegida.

A colonização se tornava então, altamente estratégica. Outros motivos não menos importantes também se apresentavam para justificar as ações colonizadoras nesta terra, como os graves conflitos sociais ocorridos nas regiões Sul e Sudeste, motivadas pelo grande deslocamento das populações do campo, principalmente nordestinos, para as cidades, mão de obra atraída pelo desenvolvimento industrial da era Vagas 1930-1945 e do Populismo 1945-1964.

O desenvolvimento industrial repentino ocorrido nestas regiões nas décadas de quarenta, cinqüenta, sessenta e setenta, e a grande oferta de empregos, provocou a explosão de problemas nas cidades como: violência rural, urbana, desemprego, aumento das favelas, surgimento dos sem tetos, crises na área de saúde e educação entre outros.

Em meio às soluções encontradas, veio à idéia de empurrar os problemas para bem longe, Rondônia o novo eldorado surge como solução para boa parte dos problemas do centro sul do Brasil.

O lema “Amazônia, Integrar Para Não Entregar”, fez parte de uma grande campanha publicitária capaz de motivar boa parte das pessoas a enfrentarem uma nova região e suas adversidades era uma nova versão ou espécie moderna do: “Vamos levar os homens sem terra para as terras sem homens”, da era Vargas e sua marcha para o oeste.

A Campanha publicitária foi ouvida, e uma “piracema” de pessoas se deslocou para nossa região.

Surgia assim o nosso “Eldorado”.

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