Domingo, 7 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Opinião

Arte de escutar


Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba (MG)

A capacidade de escutar, além de ser uma arte, é uma importante virtude, muito necessária para os novos tempos. Hoje falamos mais do que escutamos, principalmente ao que não nos interessa, mas nos compromete e exige atitudes sinceras de doação e desprendimento. Por isso, muitos não querem ouvir a Palavra de Deus, porque ela implica postura de justiça e honestidade.

É inadmissível, entre pessoas que falam e escutam, que criam diálogo fraterno, mesmo tenso, acontecer ameaça à vida. O diálogo deve ser construtor de relacionamento saudável e não um artífice e motivo de morte. Não podemos concordar e nem aceitar sacrifícios humanos, muito mais sem motivos que sejam realmente justificáveis, como é o caso de uma defesa da própria vida.

Temos que abrir os ouvidos para escutar e colocar em prática os princípios anunciados pelos textos da Palavra de Deus. Ali encontramos o necessário para construir uma vida de respeito, de paz, de esperança e de humanização da nova cultura. Temos assistido práticas abomináveis de desrespeito à vida humana, indicando que não respeitamos mais as pessoas como dons de Deus.

O diálogo precisa construir verdadeira humanidade. Parece que temos facilidade de ouvir as notícias televisivas, músicas, discursos diversos, mas não conseguimos escutar o outro. Uma multidão de ruídos povoa nossos ouvidos e nos impede de ouvir atentamente as necessidades dos irmãos e irmãs.

Está muito claro que somos consumidores de ruídos e, não ouvindo os sons da fraternidade, tornamo-nos escravos de nós mesmos. É a cultura da falta de tempo, porque não conseguimos priorizar aquilo que é mais importante e cedemo-nos ao irrisório, que massifica e dificulta atitudes de maior comprometimento.

Não podemos viver numa situação de neutralidade na vida social. O cristão, em meio aos conflitos emergentes, tem que ter posturas de solidariedade e de transfigurar as atitudes. Seu espaço é o cotidiano da vida, é a convivência com todos que o redeiam, sendo instrumento de transformação das pessoas que não conseguem vivenciar a fraternidade tão necessária para construir uma vida feliz.

Gente de OpiniãoDomingo, 7 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Saúde estadual – a tragédia anunciada

Saúde estadual – a tragédia anunciada

A crise que se instalou no sistema de saúde de Rondônia é mais antiga do que o Código de Hamurabi. Lembro-me que, em outubro de 1994, matéria do ext

Alemanha perde para Portugal a corrida ao Conselho de Segurança da ONU

Alemanha perde para Portugal a corrida ao Conselho de Segurança da ONU

Parabéns a Portugal e a Paulo Rangel pelo sucesso da eleiçãoPortugal conseguiu um lugar como membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU

Cai N’Água: Uma História de Amor Não Correspondido

Cai N’Água: Uma História de Amor Não Correspondido

O Cai N’Água continua sendo cantado pela boemia como se fosse um altar romântico da vida ribeirinha. Mas basta chegar perto para perceber que o enca

A cantilena demagógica da transposição

A cantilena demagógica da transposição

Não sei você, mas eu não suporto mais ouvir essa conversa mole de transposição de servidores do ex-Território de Rondônia para os quadros da União.

Gente de Opinião Domingo, 7 de junho de 2026 | Porto Velho (RO)