Porto Velho (RO) segunda-feira, 21 de setembro de 2020
×
Gente de Opinião

Opinião

Arroz: quem ganha e quem perde


Foto: Apex Brasil - Gente de Opinião
Foto: Apex Brasil

Há dois anos o preço do arroz no mercado mundial vem subindo. Os produtores brasileiros, que o governo admite terem tido maus negócios até então, passaram a aproveitar as condições vantajosas. Com o dólar fortalecido em relação ao real, passaram a ter grandes lucros com as vendas externas. 

A safra de arroz 2019/20 (já colhida) chegou a 11,18 milhões de toneladas, enquanto a anterior foi de 10,5 milhões.

O ingresso do auxílio emergencial contra a pandemia do coronavírus, de 600 reais mensais per capita, injetou quase R$ 200 bilhões no orçamento dos mais pobres (e também dos aproveitadores de sempre, acostumados a fraudar os negócios públicos). O consumo doméstico de alimentos se recuperou, à base do arroz com feijão.

Para agradar ainda mais os produtores, o governo conteve as importações (feitas no Mercosul, tinham alíquota zero). De janeiro a agosto deste ano, elas somaram 373 mil toneladas, 26% a menos do que no mesmo período do ano passado, segundo dados do próprio governo.

Parece que a combinação desses fatores, provocando escassez do arroz e grandes reajustes em itens da cesta básica, só surpreendeu o governo, que autorizou a importação da mesma quantidade adquirida no exterior em oito meses até o final do ano.

O paradoxo se instalou: o maior produtor de grãos do mundo está tendo que importar o grão de maior consumo alimentar da sua população. Nesse vai e vem de dólar e real, quanto fica no cofre do exportador e quanto sai do bolso do povo (e também dos cofres do tesouro nacional)? Esta é uma conta vital para se resolver a equação: na ponta do lápis, ganhamos ou perdemos de verdade?

Depois dessa apuração talvez se possa prever como estará o país em 2021.

Mais Sobre Opinião

O câncer nunca espera

O câncer nunca espera

A pandemia de Covid-19 mostrou de maneira clara e sem filtro as inúmeras mazelas da sociedade. No Brasil, muitos morreram, milhares ficaram doentes

Um compromisso com a liberdade de pensar

Um compromisso com a liberdade de pensar

Há um certo pensamento medíocre, que pavimenta o ideário brasileiro, e quer impor uma visão distorcida, sobre fatos, questões, alguns temas candente

Embargando numa canoa furada

Embargando numa canoa furada

Depois de muito puxa-encolhe, o prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves, decidiu, enfim, anunciar que vai disputar a reeleição. Com a desistência do

Servidor Público: o bode expiatório de todas as mazelas

Servidor Público: o bode expiatório de todas as mazelas

Alguns segmentos do funcionalismo público, nos três níveis de poder, têm recebido com preocupação – mesmo os que o sufragaram na eleição presidencia