Porto Velho (RO) terça-feira, 1 de dezembro de 2020
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A rejeição aos políticos


 
 
Quem são os políticos do Brasil? Anjinhos de algodão, burocratas, empresários favoráveis apenas aos próprios interesses? Adoraria, cientificamente, compreender o perfil dos que almejam um mandato eleitoral. O que motiva alguém a representar a sociedade? Em tese, um sentimento de amor pela pátria. Na prática, razões escusas, muitas delas descobertas em tremendos casos de corrupção desnudados a cada ano. Não serei injusto de generalizar, evidentemente. Sempre há os que trabalham de verdade.
 
Ademais, na medida em que o cidadão observa a máquina pública esmorecer vertiginosamente, os questionamentos sobre os rumos do país são inevitáveis. Fala-se em rombos bilionários, em farra com o dinheiro público. Valores astronômicos cuja destinação é atribulada pelos saques que acontecem no meio do caminho. Tanta desordem respinga nas intenções de voto para as próximas eleições, naturalmente.
 
A mais recente Pesquisa Ibope demonstrou a insatisfação do eleitorado perante os presidenciáveis que surgem para 2018. Em síntese, a rejeição é geral. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera as ‘não’ intenções de voto com 55%. Os entrevistados afirmaram que não votariam nele “de jeito nenhum”. Outras cartas marcadas do cenário político também constaram no levantamento. José Serra (PSDB), com 54%; Geraldo Alckmin (PSDB), com 52%; e Ciro Gomes (PDT), com 52%. Marina Silva (Rede) e Aécio Neves (PSDB) aparecem com 50% e 47% de rejeição, respectivamente.
 
Cabe uma interpretação desses dados. O problema são os nomes ou o descrédito geral do sistema político no Brasil? Talvez uma soma dos dois. A crise é tamanha que o cidadão percebe a incapacidade dos partidos mudarem suas posturas perante os reais problemas. Enquanto situação, as siglas valorizam cada aspecto de seu mandato. Enquanto oposição, tudo que provém dos adversários é digno de crítica. Rejeitar eventuais presidenciáveis, nesse caso, se mostrou uma belíssima forma de protesto.
 
A democracia sempre será melhor que a ditadura. Não há argumento que contrarie essa regra. Mas a democracia nesses moldes imaturos, permeável a tantos escândalos, e cujas ideologias são descartáveis... Não serve. Talvez o tempo aperfeiçoe os pilares de nossa nação. Talvez as pessoas percebam que seus eleitos não estão no poder por acaso. Foram colocados lá. Talvez. A esperança nos move, não deixemos o sonho morrer.

Fonte:
Gabriel Bocorny Guidotti
Bacharel em Direito e estudante de Jornalismo
 
Porto Alegre – RS

 

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