Quinta-feira, 19 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

×
Gente de Opinião

Opinião

A realidade, os desafios e as perspectivas para agricultura familiar em Rondônia


Por Itamar Ferreira*

Os pequenos produtores da Agricultura Familiar, fixados em pequenas propriedades, que se organizam em associações, cooperativas e principalmente em Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTRs), coordenados em Rondônia pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura (FETAGRO), tem conseguido a proeza de viabilizar a permanência de milhares de famílias no Campo, produzindo alimentos, gerando emprego e renda; além de manter na área rural ou ligada a ela, um jovem que tem orgulho de suas origens, representando uma garantia de futuro.

A importância econômica e social da Agricultura Familiar para Rondônia e o Brasil já foi demonstrada por pesquisas do IBGE que apontam: ela responde por 77% dos empregos no setor agrícola; é a responsável pela segurança alimentar da população em geral, produzindo aproximadamente 70% dos alimentos. No Brasil existem 5.175.489 propriedades, das 4.367.902 ou 84,4% do total são da Agricultura Familiar, mas elas ocupam apenas 24,3% da área total das propriedades rurais.

Outro resultado positivo do Censo no Brasil é o número de pessoas ocupadas na agricultura: 12,3 milhões de trabalhadores no campo estão na agricultura familiar, que representa 74,4% do total de ocupados no setor agrícola. Ou seja, de cada dez ocupados no campo, sete estão na agricultura familiar. É importante ressaltar que as entidades da Agricultura Familiar fazem um debate permanente para o não uso de venenos, o que garante alimentos muito mais saudáveis.

Mesmo diante de tamanho importância, a Agricultura Familiar não costuma ser prioridade nas três esferas de governo, municipal, estadual e federal. Somente com uma ampla organização coordenada pelas entidade sindicais, que constroem coletivamente pautas, provocam negociações e realizam grandes mobilizações como o Grito da Terra 2013, é que avanços importantes tem sido possível ao longo dos últimos anos.

Os principais problemas, dentre outros, estão na regularização fundiária, que dificulta o crédito, cria insegurança em relação à propriedade, além de gerar conflitos; educação, onde atualmente o governo do Estado quer instalar ensino à distância com tele aulas; estradas vicinais precárias; energia elétrica que falta em aproximadamente 17 mil propriedades em Rondônia e investimentos na saúde.

Além das questões de responsabilidade do Estado, como a educação e assistência técnica, e do governo federal, como o crédito através do Pronaf e habitação rural, cabe às prefeituras um papel decisivo no desenvolvimento da Agricultura Familiar: que é a organização da comercialização, como por exemplo criando mercados populares e proporcionando transporte que permitam a venda direta ao consumidor, com ganhos para o agricultor e para a população.

Um outro grande problema pra a Agricultura Familiar de Rondônia acaba sendo a monocultura e a grande propriedade do agronegócio, que se torna um vizinho que ameaça a sobrevivência da pequena propriedade, de várias formas, dentre as quais: o direcionamento da assistência técnica, das políticas públicas e da atenção governamental; o poder de concentração de terras e a utilização indiscriminada de venenos, inclusive com pulverização com aviões, que contamina a tudo e a todos.

* Itamar Ferreira: bancário, sindicalista, presidente da CUT, formado em administração de empresas pela UNIR, acadêmico de direito do 6º período da FARO, filiado e membro do Diretório Estadual do PT.

Gente de OpiniãoQuinta-feira, 19 de março de 2026 | Porto Velho (RO)

VOCÊ PODE GOSTAR

Para além da sociologia

Para além da sociologia

Os Limites da Análise de Roxana Kreimer e a Exigência de uma Matriz Antropológica IntegralAntónio da Cunha Duarte JustoResumoO presente artigo propõ

Marcos Rogério sai na frente na corrida pelo governo de Rondônia

Marcos Rogério sai na frente na corrida pelo governo de Rondônia

Começam a esboçar as primeiras pré-candidaturas ao governo de Rondônia. E quem deu o pontapé inicial na corrida pela sucessão do governador Marcos R

Brasil, próxima vítima dos EUA

Brasil, próxima vítima dos EUA

           A China é um país comunista e hoje tem um PIB que rivaliza com o dos Estados Unidos. Fala-se que a partir dos anos 2030/2035 os chineses

Deus não é cabo eleitoral

Deus não é cabo eleitoral

É comum candidatos aos mais diferentes cargos da República usarem o santo nome de Deus em suas aparições públicas e nos programas de propaganda elei

Gente de Opinião Quinta-feira, 19 de março de 2026 | Porto Velho (RO)