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A narrativa do antissistema não vai colar


Valdemir Caldas - Gente de Opinião
Valdemir Caldas

A esquerda escolheu o antissistema como mote da campanha eleitoral para a presidência da República. O ponta pé inicial da narrativa foi dado pelo presidente do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, durante o 8º congresso nacional do PT, que aconteceu recentemente em Brasília. Na sequência, foi a vez de o presidente Lula entoar a cantilena. Logo, o enredo estará no discurso de políticos e em textos jornalísticos de simpatizantes e admiradores de Lula. Foi a estratégia que o PT encontrou para tentar justificar as recentes derrotas impostas pelo Congresso.

Curiosamente, no Brasil, o discurso do presidente é de antissistema; porém, na Europa, Lula levanta a bandeira eleitoral do sistema. Tanta contradição vai acabar dando um nó na cabeça do eleitorado. Será que estamos falando do mesmo Lula? Afinal, quem é o sistema na visão do presidente? Para o petista, o sistema mora no “andar de cima”. São os bilionários, que ocupam o topo da pirâmide financeira, os mandachuvas da Avenida Brigadeiro Faria Lima - principal centro econômico e tecnológico do Brasil -, muitos dos quais andam de mãos dadas com o petismo. E, diga-se de passagem, não é de agora. São os endinheirados que ditam as regras do jogo econômico e político, aquele 1% mais rico que detém 37% da riqueza nacional, e que enriqueceu ainda mais nos governos de Lula, Dilma e, agora, Lula. É melhor o presidente mudar imediatamente o conteúdo do discurso. Insistir nessa toada é suicídio político. A maioria do eleitorado está vacinado contra esse tipo de narrativa e não vai embarcar nessa canoa furada, como mostram as recentes pesquisas eleitorais.

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