Segunda-feira, 3 de novembro de 2014 - 06h18
Humberto Pinho da Silva
Tenho o feio costume de escutar conversas, quando viajo ou bebo o cafezinho.
Sei que não devo, mas não resisto à tentação. O vicio tem-me sido útil para conhecer o que pensa o semelhante, e muitas vezes encontro matéria para as conversas, que com prazer, travo com o leitor.
Dias destes, vindo de metro da Povoa do Varzim para a Trindade, estacionou, a cadeira de rodas, bem ao meu lado, uma jovem, que não teria ainda vinte anos.
Era bonita, de grandes olhos brilhantes e irrequietos. Vinha acompanhada por senhor, que pensei ser o pai. Enganei-me.
Durante o percurso, conversaram animadamente. Dizia a jovem que os inválidos sentem dificuldade em movimentarem-se nas cidades.
Os prédios não possuem rampas, assim como a maioria das casas comerciais, repartições públicas e até as caixas Multibanco são muitas vezes inacessíveis.
- Veja! - Dizia com mágoa a rapariguinha.. - São poucos os templos que têm acesso por rampas! Olhe: para a nossa Póvoa. Cresceu, a olhos vistos, nas últimas décadas. A maioria dos prédios não têm mais de vinte anos, todavia raros são os que permitem acesso a cadeirantes.
O senhor sacudia a cabeça em sinal de aprovação. Lamentando que não houvesse esse cuidado, mesmo em prédios com elevadores.
Passei a viagem a reflectir sobre o assunto, e conclui: que muitos construtores, engenheiros e arquitectos são de grande insensibilidade.
O que custa criarem rampas de acesso aos prédios? Não se colocam elevadores, para facilitar o acesso aos andares superiores, e rampas, nas entradas das garagens? Então para quê colocar degraus nas entradas?!
Que prédios antigos fossem construídos sem esse requisito, é desculpável - mas não se compreende, - mas que as Câmaras aprovem prédios novos sem rampas de acesso, é inacreditável.
Não será falta de respeito para os que tiveram a infelicidade, por velhice ou acidente ficaram inválidos?
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