Porto Velho (RO) sábado, 17 de agosto de 2019
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200 milhões de achacadores


 200 milhões de achacadores - Gente de Opinião

Professor Nazareno*

Cid Gomes, ex-ministro da Educação da “Pátria Educadora”, foi demitido recentemente pela Presidente Dilma Rousseff, a mando do Presidente da Câmara dos Deputados, por que disse, dentre outras coisas, que no Poder Legislativo havia pelo menos uns duzentos ou trezentos deputados achacadores. Achacar é roubar dinheiro de alguém por meio da intimidação, do achaque, é extorquir, delinquir. Linguarudo, o ex-ministro reiterou enfaticamente o que havia dito e caiu em desgraça após um bate-boca acalorado com os deputados dentro daquela casa de leis. Muito anteriormente a ele, o ex-presidente Lula quando ainda era deputado federal afirmara que ali no Congresso Nacional havia pelo menos uns 300 picaretas. Eles não provaram nada do que disseram, mas fica a pergunta: será que erraram ao afirmar algo que a maioria de nós já sabe?

Com cerca de 203 milhões de habitantes, não seria nenhuma mentira ou unanimidade afirmar categoricamente que no Brasil pelo menos 200 milhões de cidadãos são ladrões, corruptos ou achacadores. Aqui sempre foi a pátria da vantagem, do individualismo. A nossa ética, de um modo geral, é levar vantagem em tudo o que fazemos. É a famosa “Lei de Gérson” que impera entre as relações mais rotineiras dos brasileiros. Neste país infelizmente quase não se pensa no coletivo. Para muitos, levar vantagem é a regra maior mesmo que isto cause prejuízos para os outros. Das mais altas autoridades do país até o mais humilde cidadão, passando por grandes empresas e até mesmo por aquelas pequenas de fundo de quintal quase todos se esmeram em levar vantagem, em lucrar, ganhar dinheiro e se possível, passar todos os outros para trás.

O pior é que esta mentalidade egoísta e atrasada dos muitos brasileiros os impede de observar que com isso todos saem perdendo. Até os que não compactuam com estas práticas medievais. E quando todos perdem, a sociedade fica pior, mais pobre, mais problemática, mais desumana, mais violenta. A mídia, por exemplo, quer sempre levar vantagem em tudo, ganhar rios de dinheiro e por isso faz, sem nenhum acanhamento, anúncios de políticos ladrões e desonestos só por causa da grana que vai faturar. Propagandas de governos e de políticos, corruptos ou não, são diariamente mostradas para os tolos. No Brasil, a ética da mídia é só ganhar dinheiro, não interessa de quem nem a quem vai prejudicar. De um modo geral, aqui só se entra na política para enriquecer ainda mais, para roubar o erário, para se beneficiar de saques e roubalheiras.

Embora haja algumas pessoas honestas no país, veem-se cada vez mais profissionais em todas as áreas, educação inclusive, que só pensam em levar vantagem. Os miseráveis incrivelmente usam a miséria para ganhar dinheiro. O rio alagou sua humilde casa? Não tem problemas. Constrói-se outra no mesmo lugar que será indenizado pelo Poder Público. O estudante de uma forma geral só quer fazer Medicina por que médico no Brasil ganha muito bem. Por que para ser professor não há concorrência? As profissões no Brasil geralmente não seguem a lógica do mercado, mas a do “vil metal” apenas. Se na política o dinheiro não fosse tão fácil, poucos se aventurariam nesta área. Declarar imposto de renda sem ocultar ganhos é tarefa quase impossível. Aqui o que é público, não é de ninguém. Diferente de países da Europa, do Japão ou dos Estados Unidos. Mas até quando esta selvageria que achaca a todos nós?

*É Professor em Porto Velho.

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