Segunda-feira, 28 de dezembro de 2009 - 07h12
Daniel Mello
Agência Brasil
Azia e desconforto constante no estômago são sintomas que o agricultor Paulo César de Castro relaciona aos agrotóxicos usados para impedir o ataque de pragas na lavoura de batatas. “Tinha o estômago ruim o tempo todo. Sempre que ia fazer uma pulverização, sentia muita azia”, diz.
O mal-estar causado pela aplicação do veneno foi um dos fatores que levaram Castro a trocar o modelo convencional pelo plantio de alimentos orgânicos há dez anos. “[Comecei a plantar orgânicos] por medo de ser contaminado ou contaminar alguém com agrotóxico. Se vem na embalagem que é veneno, boa coisa não é”, afirma o produtor.
Depois que começou a trabalhar com produtos orgânicos, conta Castro, o mal-estar “foi sumindo aos poucos e graças a Deus acabou". Ele foi um dos primeiros produtores a aderir à cultura sem defensivos ou aditivos químicos no município de Gonçalves, em Minas Gerais. Com cerca de 5 mil habitantes, o município, localizado na Serra da Mantiqueira, no sul de Minas Gerais, está se tornando um importante produtor de alimentos.
A preocupação com a conservação do meio ambiente também foi um dos fatores que fizeram com que Castro mudasse a forma de cultivo. “[O agrotóxico] contamina o solo, contamina a água. Quando você faz uma lavoura muito grande, acaba que em uma chuva muito forte desce tudo para as águas. A consciência pesa”.
A preocupação com o bem-estar dos animais também é lembrada por quem opta por alimentos orgânicos, ressalta a veterinária Ísis Mari, autora de uma pesquisa sobre as diferenças entre ovos orgânicos e convencionais. “Quando a pessoa conhece um pouco mais sobre o sistema de produção de ovos, fica mais sensível à questão do bem-estar animal.”
De acordo com a veterinária, a produção convencional das granjas gera muito sofrimento para as galinhas. Nas granjas, as aves têm o bico cortado para evitar que se machuquem, mas as brigas são constantes devido à falta de espaço. As aves também se ferem e deformam os pés nas grades onde ficam presas.
Na criação orgânica, as aves têm mais espaço e sofrem menos, garante a veterinária. Além disso, diferentemente das criadas em granjas tradicionais, as aves não recebem antibióticos e outros remédios para acelerar o crescimento. Ísis Mari diz que, apesar dos resíduos dessas substâncias encontrados nos ovos serem apontados internacionalmente como seguros, os consumidores de orgânicos preferem não ingeri-las.
No entanto, os custos do modo de criação diferenciado, inclusive com a alimentação das aves, acabam fazendo com que os ovos orgânicos custem até três vezes mais do que os convencionais. Ísis Mari destaca que as pessoas pagam o preço por causa de seus “ideais”, mas reconhece que os ovos orgânicos não têm valor nutricional maior do que os tradicionais.
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