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Leo Ladeia

Viva o ano novo! Feliz ano velho!


Viva o ano novo! Feliz ano velho! - Gente de Opinião

O passado é um baú cheio de novidades. No Brasil, establishment não é conceito acadêmico neutro, mas um pacto informal de sobrevivência do grupo de quem não perde nunca, a fina flor da baixa canalha, de políticos com e sem voto, da imprensa amestrada, partidos sem programa, empresas pendurados nas tetas do erário, Judiciário caótico, burocracia viciada e parte da elite intelectual de araque. Mudam presidentes, falas, mas os caciques são os mesmos. Abro o baú e salta a esperada vitória contra a ditadura dos milicos que deu um Globo de Ouro ao excelente ator Wagner Moura e sigo em frente. Desde a redemocratização o Brasil tem o sistema em que pelo voto se escolhe o chefe da boca, gerente do morro e não o dono do poder. O sistema não teme a democracia, ele a domina para que funcione como a garantia da existência do acordo silencioso no clube dos vencedores de sempre.  

1.1-       Origem e a eclosão do ovo da serpente 

Viva o ano novo! Feliz ano velho! - Gente de Opinião

A análise é bem chã, mas o establishment é como o pedrisco no tênis de quem iria correr a maratona parlamentarista e perdeu na largada para o presidencialismo. A Carta de 1988 adubou o terreno para o fisiologismo e criando ou ampliando direitos abriu as vias para a captura o Estado pelo que havia de pior à época. Sem travas efetivas, o multipartidarismo estruturou o tal presidencialismo de coalizão e fez do Congresso uma banca de barganhas. FHC governou com o Centrão, Lula adotou o Centrão, Dilma tentou encará-lo e foi engolida e Michel Temer, oriundo do núcleo fisiológico ofendido depois que Dilma o chamou de “vice-presidente decorativo” foi ao paroxismo, empinou a carroça e o resto vocês sabem. A promessa republicana deu lugar à lógica franciscana e governar virou sinônimo de ceder. Cedeu uma vez e virou freguês ou seria o revival Dilma e Lula. Aceito o Bolsonaro hora de colocar o cabresto e como não deu certo, Lula de novo para tomar a eleição. Bolsonaro não morre, o “sistema é “f*da”, o jogo é bruto e agora é dependência ou morte”! 

1.1-       Centrão, o lupanar brazuka

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Sigo na linha do tempo: Em Maluf, ACM e outros proxenetas está o DNA da velha política que herdou o pior do Brasil em termos de corrupção e que foi aos poucos burilada pelos que vieram e viram que o poder real está no controle do orçamento, das estruturas do Estado e não no debate político e público. Tal cultura atravessou décadas sobrevivendo incólume à alternância partidária. MDB, PP, PL e similares se tornaram “base de apoio” ou “legendas de apoio institucional”. FHC os chamava de “necessários”, Lula de “aliados”, Temer os liderava caçando e dividindo o butim. “É preciso manter isso”, lembram-se? Por que governar se já tem a chave do cofre? Roubo prescinde de ideologia e o sistema conhecido ou o escondido na Faria Lima promoverão a cizânia. É a luta do nós contra eles,ricos contra pobres, nordestinos contra sulistas direita contra esquerda e no fim da democrática contenda alguém apoiado pelo Centrão erguerá a Taça e parte do eleitorado gritará “é campeão...!”

1.1-       A simbiose: a patifaria e suas consequências

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Simbiose é uma relação estreita e duradoura entre duas espécies diferentes como uma empresa particular e o poder político. Nenhum establishment sobrevive sem o financiamento. No Brasil, OAS, Odebrecht e Andrade Gutierrez dentre tantas, são o símbolo do capitalismo de compadrio, da criação de projetos espetaculares por empresas que os apresentavam e eram aceitos para serem financiados pelo governo dividindo contratos, pagando propina e pixulecos em relações promíscuas com o estado. E nada a ver com ideologia, pois a operação abrangia MDB, PSDB, PT, diálogos com Foro São Paulo no plano retórico e até com o mercado no plano prático. Mensalão e petrolão não foram acidentes, mas consequências. Empresas pagavam as caras campanhas eleitorais e se ressarciam do Estado depois. Uma invenção brazuka, convenhamos,  “dubaráio”. Quando a patifaria do esquema, veio à tona, o establishment que já havia adotado o nome de sistema, reagiu, relativizou, atacou investigadores e tratou o colapso moral como sendo um “excesso de zelo”.

1.1-       Por que não pensar no futuro e nas nossas mazelas? 

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Por que alguns países mudaram? Chile, Coreia do Sul, Portugal fizeram reformas institucionais profundas após crises políticas, reduziram a grande fragmentação partidária, profissionalizaram o Estado, limitaram a captura do orçamento pelos interesses privados, mas aqui foi o oposto. As crises fortaleceram o establishment. O impeachment de Dilma poderia, mas não reformou o sistema que caiu nas mãos do Temer. A indignação popular não enfraqueceu o Centrão, ao contrário, atiçou a voracidade sobre o erário. Países com democracias estáveis tratam corrupção e fisiologismo como desvios para correção, mas no Brasil se transformaram no mito da governabilidade como método. O saldo é a mediocridade política, o crescimento baixo, a descrença internacional e sabemos que o problema central não é falta de alternância, recursos ou talento nacional. O sistema é resiliente, vive e sobrevive a escândalos, crises e eleições porque é o controller. E enquanto o Centrão seguir como fiel da balança e o Estado continuar sendo moeda de troca, a democracia brazuka será a “democracinha” de caros poderes imorais, indecentes, harmônicos, faraônicos, co-dependentes, corruptos que existem mais em abusos, em leniência, tolerância, tramoias e mais no papel do que na vida real. E nós para onde vamos?

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