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Silvio Persivo

O Rei que nunca perdeu a coroa


O Rei que nunca perdeu a coroa  - Gente de Opinião

É impossível, e centenas de tentativas já provaram isso, desmerecer o notável e duradouro sucesso de Roberto Carlos. Ele reina absoluto na música brasileira há décadas, tornando-se um fenômeno que transforma até canções simples em sucessos inesquecíveis, cheios de brilho e vida. Não há como negar o imenso talento de alguém que conseguiu se enraizar na memória musical de tantas gerações. E, convenhamos, essa longevidade não se constrói sem muito trabalho, empenho, uma disciplina incomum e, sobretudo, um carisma inegável.

Manter-se no topo, sob os holofotes, através de tantas mudanças na mídia e na indústria musical, é uma façanha. Para continuar relevante e expandir seu público para as novas gerações, o Rei demonstra não apenas talento musical, mas uma intuição afiada e uma capacidade única de sintonizar com os desejos do público.

O sucesso sempre foi uma gangorra, e permanecer no alto, como Roberto Carlos, exige um padrão de qualidade e a capacidade de adaptar a sua obra. Isso, sem dúvida, mata de inveja os críticos que, na falta de argumentos melhores, insistem que ele se baseia apenas em uma "fórmula pronta" de canções "sentimentalóides". A ironia é que ele, que foi um triturador de tradições com a Jovem Guarda, hoje é chamado de "tradicionalista". Mas essa "tradição" é, na verdade, a autenticidade de um artista que se manteve fiel a si mesmo.

Muitos cobraram dele uma atuação política ou uma renovação estética, o que seria desonestidade intelectual. Roberto Carlos sempre foi o que se propôs a ser: um artista que busca exercer sua arte da melhor maneira possível. E, nessa jornada, ele só se aprimorou, em grande parte com a ajuda fantástica do maestro Eduardo Lages, seu arranjador e produtor musical por mais de 40 anos, e de uma plêiade de músicos excepcionais.

É comum também atribuir seu sucesso aos especiais de fim de ano na TV. A verdade é que a Globo não o manteve no ar por acaso; Roberto Carlos sempre esteve no topo. Não se fala em sucesso musical no Brasil sem pensar em seu nome.

Enfim, ele foi, é e continua a ser o maior sucesso da música brasileira por sua coerência, visão de vida e carisma extraordinário, que continuam a seduzir multidões e a criar sonhos. Sua voz pode ter envelhecido, como acontece com todos que não morrem, mas seu público fiel jamais irá faltar. Ele só parará de cantar se assim quiser. Pode falhar em uma canção ou outra, mas nenhum outro intérprete, até hoje, se compara a ele. Que os invejosos morram de inveja. Ele continua a ser o maior fenômeno da música brasileira.

* O conteúdo opinativo acima é de inteira responsabilidade do colaborador e titular desta coluna. O Portal Gente de Opinião não tem responsabilidade legal pela "OPINIÃO", que é exclusiva do autor.

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